A educação de crianças foi apontada como uma das principais ferramentas para prevenir e combater a violência contra as mulheres durante mais uma edição do projeto ‘Por Elas – no Enfrentamento à Violência’, realizada pela Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres (SPPM), nesta quarta-feira (10), no auditório do Centro Administrativo Municipal (CAM), em Água Fria. O evento teve como objetivo fortalecer a rede de proteção feminina e ampliar o diálogo sobre o tema.




A programação contou com palestras, seminário e roda de conversas voltadas à conscientização sobre a violência doméstica e seus impactos na vida das mulheres e de suas famílias. A iniciativa promoveu a troca de experiências entre profissionais que atuam diretamente na rede de atendimento, contribuindo para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à garantia dos direitos das mulheres.
Um dos destaques do evento foi a palestra da promotora de Justiça Artemise Leal, da 59ª Promotoria de Justiça de João Pessoa de Defesa da Mulher, que abordou aspectos relacionados ao enfrentamento da violência doméstica e ressaltou que o processo educativo nas escolas é de fundamental importância para reverter o quadro de violência contra as mulheres.
“As instituições vem fazendo o dever de casa, mas não adianta recrudescer somente. Infelizmente os casos de violência vão continuar ocorrendo enquanto não educar. Por isso, quando eu assumi a Promotoria, a primeira recomendação que eu expedi foi justamente para fazer cumprir a Lei de Diretrizes e Bases da nossa educação, que obriga as escolas a tratar o tema nos currículos escolares de forma pedagógica, de forma transversal”, destacou.
A promotora se referiu à Lei nº 14.164, de 10 de junho de 2021, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei nº 9.394/1996). Ela incluiu a prevenção da violência contra a mulher nos currículos e instituiu a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher.



A secretária das Mulheres de João Pessoa, Nena Martins, endossou a fala da promotora e acrescentou que a Prefeitura de João Pessoa tem se empenhado em levar esse debate às escolas para conscientizar crianças e adolescentes. “A violência contra a mulher não atinge apenas a vítima da agressão. Os filhos são atingidos, a família e a sociedade também são vítimas desse ciclo de violência”, ressaltou. “Estamos também levando esse debate às comunidades, ONGs, associações e clubes de mães para fortalecer essa rede de proteção”, complementou.
O educador físico André Rodrigues, de 39 anos, tem um filho de apenas dois anos de idade e disse que já se preocupa em como será a abordagem desse tema na educação da criança. “Já ensino meu filho a tratar as coleguinhas com gentileza”, informou.
Ele é instrutor de artes marciais e diz que tem percebido um aumento na procura de mulheres no curso de autodefesa. “Considero importante esse tipo de evento pra conscientizar homens e mulheres. Como instrutor, venho percebendo que a procura de mulheres vem subindo, tanto que estamos organizando uma turma de defesa pessoal voltada só para as mulheres”, disse André.





A psicóloga Jeanne Maria Vitorio, considera eventos como esse muito importante, que mostram que as mulheres podem denunciar e que terão proteção. “A violência não se restringe só ao espancamento, existem várias outras maneiras de violências e as mulheres precisam ser conscientizadas sobre isso e os homens também, porque muitas vezes eles nem se veem como agressores”, pontuou.



Participaram do evento Paula Monalisa, delegada da Polícia Civil e subcoordenadora das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) na Paraíba; Tânia Castelliano, presidente da Academia da Mulher Cabedelense de Letras, Artes e Ciências; e Alice Sales, coordenadora do Núcleo Especializado da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado da Paraíba; entre outras mulheres representantes de associações, organizações não governamentais e autoridades ligadas à defesa dos direitos femininos, além dos órgãos públicos municipais, como a Ronda Maria da Penha, o Centro de Referência da Mulher Ednalda Bezerra e a Guarda Civil Metropolitana.











