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Justiça suspende torcidas organizadas do Botafogo após episódios de violência no Almeidão

Em reunião realizada nesta segunda-feira (22/06), o Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), do Ministério Público da Paraíba, determinou a suspensão das torcidas organizadas “Jovem” e “Fúria”, do Botafogo, pelos próximos dois jogos pelo Campeonato Brasileiro da série C realizados na Paraíba. A medida, que entra em vigor imediatamente, atinge os confrontos contra o Brusque, no dia 30 de junho, e o Confiança, em 12 de julho, e pode ser estendida, de acordo com o desenrolar da punição aplicada e das investigações conduzidas.

A decisão, um consenso entre o promotor de Justiça coordenador do Nudetor José Leonardo Clementino Pinto e os representantes da Polícia Militar da Paraíba, foi motivada pela gravidade dos atos de vandalismo e violência registrados no último sábado (20/06), durante a partida entre Botafogo e Volta Redonda, válida pela Série C do Campeonato Brasileiro. Conflitos ocorreram tanto no interior quanto no entorno do Estádio Almeidão, em João Pessoa.

Além da violência física, o órgão destacou informações preliminares sobre a possível interferência de facções criminosas nas  duas torcidas, com indícios de ordens para paralisação de atividades e substituição de direções, o que deverá ser alvo de maior aprofundamento e investigação de responsabilidades.

Outras resoluções

O Nudetor estabeleceu uma série de medidas complementares para garantir a ordem e a segurança nos jogos do Botafogo. O retorno das torcidas ao estádio, por exemplo, programado para a terceira partida, dependerá de um novo cadastramento das agremiações, apresentação das novas diretorias e o cumprimento irrestrito de protocolos de segurança a serem analisados pela Polícia Militar.

Será recomendada à Secretaria de Segurança e Defesa Social a instauração de inquérito para apurar a associação com facções criminosas e as movimentações nas diretorias das organizadas. Também foi requisitado à SAF do Botafogo, responsável pela operação do jogo, o fornecimento integral das imagens de reconhecimento facial e câmeras de segurança do estádio para auxiliar na identificação dos torcedores envolvidos.

Enquanto durar a suspensão, os integrantes das torcidas estão proibidos de utilizar faixas, bandeiras, instrumentos musicais ou qualquer indumentária que os identifique, tanto dentro quanto no entorno de arenas esportivas em todo o estado.

O que diz o Promotor

O coordenador do Nudetor, promotor de Justiça José Leonardo Clementino Pinto, explicou o cronograma e a necessidade de rigor na reavaliação. “A proibição vai valer para os jogos dos dias 30 de junho e 12 de julho. Vamos avaliar o retorno para a terceira partida, contra o Santa Cruz no dia 7 de agosto. Não é garantido porque vai depender da observação dos protocolos de segurança, do recadastramento das torcidas e dos dirigentes, uma vez que as duas torcidas comunicaram a destituição das diretorias e a paralisação das atividades, de modo que vai ser necessário um novo cadastramento, uma nova análise de segurança, um novo levantamento do cadastro dos torcedores e dos dirigentes para que seja liberado o acesso. Tudo isso vai ser examinado. O Ministério Público não tolerará novos atos de violência e não está descartada a suspensão definitiva das atividades das torcidas organizadas envolvidas em episódios recorrentes de violência, sem prejuízo inclusive da responsabilização pessoal dos seus dirigentes e dos torcedores que venham a ser identificados também”, alertou o  promotor.

A reunião contou com a participação de representantes da Polícia Militar, incluindo o Coronel Gleidistone Cavalcanti da Silva, comandante do Policiamento da Região Metropolitana (CPRM);  Coronel Rogério Damasceno Bernardo, diretor geral do Departamento Geral de Operações da PM (DGO); o comandante do Regimento de Polícia Montada, tenente coronel José Jailson Bezerra (RPMon); o oficial comandante do policiamento no jogo, Major Leão;  o diretor-geral do Departamento de Inteligência e o Coordenador de Inteligência da Polícia Militar da Paraíba, Coronel Luiz Tibério Pereira Leite.

A decisão, que tem como base  o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público da Paraíba, as torcidas organizadas dos maiores clubes de futebol do estado, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Federação Paraibana de Futebol, prevendo uma série de medidas educativas e punitivas às agremiações de torcedores em caso de descumprimento, para promover a cultura de paz nos eventos esportivos, será comunicada oficialmente à Federação Paraibana de Futebol (FPF), ao clube e aos órgãos de segurança.

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