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Projeto Lean: Hospital de Trauma de João Pessoa amplia agilidade e segurança no atendimento de emergências

Menos espera, mais agilidade e um atendimento centrado no paciente, especialmente nas áreas de urgência e emergência, onde cada minuto pode fazer a diferença. Esse é o resultado que o Projeto Lean nas Emergências vem consolidando no Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, unidade do Governo da Paraíba, em João Pessoa, em parceria com o Ministério da Saúde e hospitais de referência nacional.

A iniciativa tem como objetivo tornar o atendimento mais ágil, organizado e eficiente. Segundo o diretor clínico da unidade, Matheus Enomoto, o projeto busca fortalecer a integração entre equipes, qualificar processos e ampliar a resolutividade da assistência.

“Implantar o Projeto Lean nas Emergências no Hospital de Trauma de João Pessoa representa um avanço importante na forma como organizamos nossa assistência. Trata-se de um trabalho que qualifica processos, reduz desperdícios de tempo e fortalece aquilo que mais importa: o cuidado ao paciente. Nosso foco é garantir que cada pessoa receba o atendimento certo, no tempo certo, com mais agilidade, segurança e eficiência”, destacou.

Um dos resultados mais expressivos do Lean está no atendimento a pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC). Com a adoção de protocolos visuais, como a “touca vermelha”, os casos suspeitos são rapidamente identificados, priorizando a realização de exames, como a tomografia, e avaliações especializadas.

O impacto é direto em um dos procedimentos mais críticos do tratamento: a trombólise, medicação utilizada para desobstruir artérias em casos específicos de AVC. Para ser eficaz, ela precisa ser administrada em até 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas, e cada minuto é determinante. “Hoje conseguimos praticamente dobrar o número de trombólises realizadas, justamente porque reduzimos perdas de tempo dentro do hospital”, ressaltou Enomoto.

Além das melhorias assistenciais, o projeto também implantou ferramentas de gestão estratégica. Uma delas é o Huddle, reunião breve realizada duas vezes ao dia, que reúne equipes assistenciais e administrativas para identificar pendências e gargalos no fluxo de atendimento. A prática permite intervenções mais ágeis e assertivas por parte da gestão.

“É uma forma organizada de identificar fatores que impactam a assistência. Com o Huddle, essas demandas ganham visibilidade e podem ser resolvidas com mais rapidez”, explicou o diretor.

O projeto também introduziu a função do fluxista, um enfermeiro com identificação visual específica, responsável por acompanhar o paciente ao longo de toda a sua jornada dentro da emergência. Na prática, esse profissional atua diretamente na organização do fluxo assistencial, monitorando cada etapa do atendimento e evitando esperas desnecessárias.

De acordo com Enomoto, o fluxista é peça-chave na melhoria do fluxo. “Esse profissional monitora pacientes que aguardam exames, avaliações ou encaminhamentos, identifica gargalos e atua para evitar esperas, especialmente nos corredores. Ao identificar pendências, ele intervém para agilizar a definição de condutas e a continuidade do atendimento”, explicou.

Outra inovação é a atuação do chefe de plantão, médico experiente, responsável por decisões rápidas em casos complexos ou situações que envolvam diferentes especialidades, garantindo maior segurança e assertividade nas condutas clínicas.

De acordo com Enomoto, os avanços já são percebidos nas três áreas de atendimento da unidade: vermelha, amarela e verde, com maior rotatividade de leitos, mais agilidade nas condutas e redução da superlotação. A melhoria no fluxo também contribui para diminuir o tempo de permanência hospitalar, não pela alta precoce, mas pela maior eficiência nas decisões clínicas.

“Quando conseguimos acelerar processos, o paciente compreende mais rapidamente sua condição e a conduta necessária. Em muitos casos, após a avaliação, pode dar continuidade ao tratamento em casa com segurança, sem necessidade de permanecer no hospital além do necessário”, concluiu.

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