FÉ CEGA, FACA AMOLADA (O fanatismo religioso como arma de poder) – no texto de Marcos Thomaz

Quanto mais o tempo passa, a história se concretiza cíclica! Tal qual a rotação da Terra (vá pra lá com seu terraplanismo), a narrativa do mundo segue em espiral. É um giro constante, um imenso e infinito looping histórico a determinar todos os fenômenos terrenos.  Esse círculo temporal é tão forte, que nem mesmo a fé, o transcendental escapa ao rodar constante do Planeta Terra!

 

Vejam vocês, que a tradicional, ortodoxa Igreja Católica, aquela perpetradora, cúmplice, ou simplesmente omissa em barbáries de outrora,  é quem dita passos progressistas no campo das religiões, em tempos atuais!?!? Podíamos apenas falar das mensagens e, mais que isso, da postura quase revolucionária do Papa Francisco, quebrando paradigmas da sisudez e conduta etérea, distante, quase divinal do Vaticano! Um papado mais humano, menos opulento, mais próximo dos dramas cotidianos da humanidade, atento ao milenar problema da desigualdade e pobreza mundiais, tolerante e compadecido aos diferentes.

 

Mas o fator novo é a iniciativa da representação da Igreja Católica na Alemanha de colocar na pauta do dia a discussão de temas tabus como fim da obrigatoriedade do celibato, casamento entre pessoas do mesmo sexo e ordenação de mulheres para sacerdotisas da Santa Igreja.

 

Naturalmente, mexer em dogmas tão estratificados não iria passar ileso.  A imensa ala tradicional, que ainda é maioria no Vaticano já se levantou contra a proposta e nega qualquer autenticidade no Sínodo alemão (como se chama a assembléia de Bispos e altos eclesiásticos católicos). Fato é que independente do resultado prático de imediato, existir uma corrente oficial dentro da Igreja Católica a desafiar a existência dessas doutrinas arraigadas já é “sinal de novos tempos”!

 

Mas, se a mesma Igreja Católica responsável, por exemplo, pela Inquisição, negligente a perseguição de judeus pelo nazismo alemão na Segunda Guerra etc, respira ares mais leves, o Protestantismo, herdeiro da “REFORMA”,primeiro movimento há séculos a contestar, “bater de frente” com a onisciência e imperialismo cultural e de costumes, exatamente da Igreja Católica, espalha toxidade na atmosfera brasileira.

 

A representação do universo “evangélico”, especialmente das chamadas denominações neopentecostais, se juntou ao que há de pior na sociedade e na política nacional e capitaneado por figuras como Marco Feliciano, Silas Malafaia, Edir Macedo e outros dessa laia, destila ódio contra “grupos diferentes” na tentativa de estabelecer um padrão de comportamento moral baseado apenas em suas crenças e princípios.

 

Saíram dos “guetos” a que estavam relegados em seus, antes, humildes templos e, muitas vezes eram alvos de zombaria e preconceito social,  para ocupar os palanques da intolerância. Assim, aos gritos passaram de oprimidos a opressores.

 

Agem coletivamente como uma turba fundamentalista replicando intolerância, de forma leviana espalhando inverdades e destruindo honra de terceiros, criando “demônios” e  ameaças que só existem nas mentes contaminadas de alguns.

 

Imagino a sensação de Martinho Lutero se pudesse, ainda no século XVI, quando publicou as 95 teses da Reforma Protestante, antever o cenário de Trevas em que estão mergulhadas boa parte das representações protestantes brasileiras nesse ano da graça de 2019. É a antítese absoluta do que simboliza o amor cristão tão aventado, mas pouco praticado nesse Brasil de hoje…

 

Que este modelo-nação Evangequistão, este conceito de ser senhor da razão da fé e querer impor um “código” de vida passe tão rápido quanto a Terra gira em torno de si mesmo! Amanhã, logo amanhã já há de ser outro dia…

 

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