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Santa Rita entra no ranking das 10 cidades mais violentas do país; Nordeste concentra todos os municípios da lista

Santa Rita voltou a colocar a Paraíba no mapa da violência no Brasil. O município aparece na 9ª posição entre as dez cidades com mais de 100 mil habitantes que registraram as maiores taxas de mortes violentas intencionais (MVI) em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O levantamento revela que as dez cidades mais violentas do país estão concentradas no Nordeste. Embora o Brasil tenha registrado uma redução de 8,2% nas mortes violentas em relação ao ano anterior, a região continua apresentando os índices mais elevados. A taxa nacional ficou em 19,1 mortes por 100 mil habitantes, enquanto o Nordeste alcançou 31,6, a maior do país.

Com taxa de 60,9 mortes violentas por 100 mil habitantes, Santa Rita passou a integrar o ranking depois de não figurar entre as vinte cidades mais violentas em 2024.

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Segundo o Anuário, uma das hipóteses para o avanço da violência no município paraibano é a disputa territorial entre organizações criminosas, favorecida pela proximidade com o Porto de Cabedelo, localizado a cerca de 35 quilômetros da cidade.

A Bahia lidera o ranking com cinco municípios, seguida pelo Ceará, com três. Pernambuco e Paraíba aparecem com uma cidade cada.

Confira o perfil das dez cidades mais violentas do Brasil:

Maranguape (CE)
Lidera o ranking nacional, com taxa de 100,3 mortes por 100 mil habitantes. O Anuário aponta que a cidade é palco de intensas disputas entre facções criminosas, favorecidas pela localização estratégica às margens das rodovias CE-065 e BR-222, importantes corredores para o tráfico de drogas.

Eunápolis (BA)
Com taxa de 85,1 mortes por 100 mil habitantes, também sofre com conflitos entre organizações criminosas. A cidade ocupa ainda a segunda posição nacional em mortes decorrentes de intervenção policial e é considerada estratégica por estar localizada no entroncamento das BR-101 e BR-367.

Maracanaú (CE)
Vizinha de Maranguape, registra taxa de 80,7 mortes por 100 mil habitantes. O município é marcado pela disputa entre três organizações criminosas de atuação nacional.

Porto Seguro (BA)
Apesar do forte apelo turístico, aparece na quarta posição, com taxa de 71,2 mortes por 100 mil habitantes. O estudo relaciona a violência à presença de aeroporto internacional, da BR-367 e da logística que permite acesso ao porto de Ilhéus, utilizado como rota para o tráfico internacional de drogas.

Simões Filho (BA)
Com taxa de 68,1 mortes por 100 mil habitantes, a cidade é apontada como estratégica pela presença do Porto de Aratu e pelas ligações com as rodovias BA-93, BA-526 e BR-324, utilizadas por organizações criminosas.

Jequié (BA)
Registra taxa de 67,4 mortes por 100 mil habitantes. O município é cortado pelas rodovias BR-116 e BR-330, fator que, segundo o Anuário, favorece a movimentação de grupos criminosos.

Caucaia (CE)
Tem taxa de 66,6 mortes por 100 mil habitantes. Além dos confrontos entre facções, o estudo destaca um fenômeno recorrente no Ceará: a expulsão de moradores de suas casas por determinação de organizações criminosas.

Cabo de Santo Agostinho (PE)
Com taxa de 65,1 mortes por 100 mil habitantes, a cidade pernambucana é considerada estratégica pela proximidade do Porto de Suape, importante rota para o tráfico internacional.

Santa Rita (PB)
Única representante da Paraíba na lista, apresenta taxa de 60,9 mortes por 100 mil habitantes. O Anuário atribui o crescimento da violência, entre outros fatores, às disputas pelo controle territorial em razão da proximidade com o Porto de Cabedelo.

Juazeiro (BA)
Fecha o ranking com taxa de 55,8 mortes por 100 mil habitantes. O município é considerado estratégico por reunir três rodovias federais — BR-122, BR-235 e BR-407 — além da possibilidade de utilização do Rio São Francisco como rota de escoamento para atividades criminosas.

O levantamento reforça que a violência letal permanece concentrada em municípios que ocupam posições estratégicas para a logística do crime organizado, especialmente em áreas próximas a portos, aeroportos e grandes corredores rodoviários utilizados pelo tráfico de drogas.

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