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Medicina brasileira fica mais jovem e feminina; Paraíba acompanha tendência em ritmo mais acelerado

A medicina brasileira passa por uma mudança geracional importante. Levantamento consolidado a partir da base de médicos ativos com inscrição principal mostra que o país possui 682.055 médicos em atividade, dos quais 347.991 são mulheres, o equivalente a 51,02%, e 334.064 são homens, correspondendo a 48,98%.

A presença feminina, que já é majoritária no total de profissionais, torna-se ainda mais expressiva quando se observa o recorte dos médicos mais jovens. No Brasil, 339.621 médicos têm até 40 anos de idade, o que representa 49,79% do total. Nesse grupo, as mulheres são 201.068, ou 59,20%, enquanto os homens somam 138.553, ou 40,80%.

O mesmo padrão aparece no tempo de formação. Entre os médicos formados há até cinco anos, o país contabiliza 175.833 profissionais, correspondendo a 25,78% do total. Desse contingente, 106.888 são mulheres, ou 60,79%, e 68.945 são homens, ou 39,21%. Já entre os formados há até dez anos, são 281.688 médicos, o equivalente a 41,30% da força médica nacional. Nesse grupo, 166.946 são mulheres, representando 59,27%, enquanto 114.742 são homens, ou 40,73%.

Para o presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran da Silva Gallo, os números exigem planejamento institucional e políticas públicas voltadas para a qualificação da formação e para a organização do exercício profissional.

“Os dados mostram que a medicina brasileira está em franca renovação. Esse movimento impõe ao país a responsabilidade de discutir com seriedade a qualidade da formação médica, o acesso à residência, as condições de trabalho e a segurança do paciente. Não basta formar mais médicos; é necessário garantir que esses profissionais estejam bem preparados, supervisionados e inseridos em ambientes adequados para o exercício ético e seguro da medicina”, afirmou Gallo.

Na Paraíba, a tendência de rejuvenescimento da profissão aparece de forma ainda mais acentuada. Considerando a base de médicos ativos com inscrições principais e secundárias, o estado registra 13.133 médicos ativos, sendo 6.883 mulheres, ou 52,4%, e 6.250 homens, ou 47,6%.

Entre os médicos paraibanos com até 40 anos, são 7.325 profissionais, o que corresponde a 55,8% do total estadual. Nesse grupo, as mulheres somam 4.182, ou 57,1%, enquanto os homens são 3.143, ou 42,9%. O dado revela que mais da metade dos médicos em atividade na Paraíba está na faixa etária mais jovem da profissão.

O recorte por tempo de formação reforça esse perfil. A Paraíba possui 4.210 médicos formados há até cinco anos, o equivalente a 32,1% do total estadual. Desses, 2.492 são mulheres, correspondendo a 59,2%, e 1.718 são homens, ou 40,8%. Entre os formados há até dez anos, são 6.459 médicos, ou 49,2% do total. Nesse grupo, 3.727 são mulheres, representando 57,7%, e 2.732 são homens, ou 42,3%.

Para Bruno Leandro de Souza, conselheiro federal de medicina e presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba, os dados demonstram que o estado vive uma mudança estrutural no perfil da profissão médica.

“Quase metade dos médicos paraibanos tem até dez anos de formado, e mais da metade tem até 40 anos de idade. Isso significa que estamos diante de uma geração que está ingressando no mercado em um cenário de grandes desafios: necessidade de especialização, disputa por residência médica, novas formas de contratação, pressão assistencial, violência no ambiente de trabalho e transformação tecnológica. O papel dos conselhos de medicina é compreender esse novo perfil e atuar para proteger o bom exercício profissional e a qualidade da assistência à população”, destacou Bruno Leandro.

A comparação entre Brasil e Paraíba mostra que o estado tem uma medicina proporcionalmente mais jovem que a média nacional. Enquanto no país 41,30% dos médicos ativos principais têm até dez anos de formado, na Paraíba esse percentual chega a 49,2% quando consideradas inscrições principais e secundárias. Na faixa de até 40 anos, o Brasil registra 49,79%, enquanto a Paraíba alcança 55,8%.

Os dados apontam para uma transformação profunda na demografia médica. A nova geração de médicos é mais jovem e majoritariamente feminina, o que deve orientar debates sobre carreira, residência médica, interiorização, qualidade do ensino, condições de trabalho e valorização profissional. No Brasil e, de forma ainda mais intensa, na Paraíba, o futuro da assistência médica já começou a se desenhar no presente.

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