O presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba, (CRM/PB), e que também integra o Conselho Federal de Medicina, (CFM), Bruno Leandro de Souza, alertou, nesta quarta-feira (6), sobre a atuação de médicos que estão explorando “brechas”, e seguem vendendo implantes após veto para fins estéticos.
Bruno Leandro de Souza foi enfático ao dizer que esse tipo de conduta é uma infração à ética médica De acordo com ele, existe um potencial conflito de interesse que deve ser investigado. “Existem também potenciais conflitos ao código de ética médica, uma vez que estamos vendo o médico induzindo o paciente a fazer o uso de uma prescrição da farmácia ao qual ele pertence”, comentou
De acordo com matéria publicada no G1 Nacional desta quarta-feira (6), Informações dão conta de que o mercado de implantes hormonais se transformou em um negócio gigante no país. Usando uma brecha regulatória, a base da engrenagem são médicos que implantam, treinam outros profissionais e vendem o produto — faturando de ponta a ponta. Ainda segundo a informações, o implante é vendido pela farmácia de manipulação por cerca de R$ 200 e oferecido às pacientes por valores que partem de R$ 4 mil e podem chegar a R$ 12 mil.
Ainda segundo o Portal, as Informações apontam também que médicos usam as redes sociais para divulgar vídeos em que falam sobre terapia hormonal que envolve hormônios como testosterona, oxandrolona e gestrinona.
De acordo com o Portal documentos, vítimas e ações judiciais revelam como médicos prescrevem, treinam e lucram com implantes hormonais. Atuação explora uma brecha regulatória que é investigada pelo Ministério Público e é alvo de alerta do CFM, mas que ninguém fecha.
O suposto tratamento serviria para aliviar sintomas da menopausa, da Síndrome do Ovário Policístico (SOP), da endometriose, além de tratar queda de libido, insônia e ganho de peso. Na tentativa de resolver problemas de saúde, muitas mulheres aceitam.
Atualmente, a Anvisa proíbe implantes com hormônios anabolizantes como gestrinona, oxandrolona e testosterona para fins estéticos. O que acontece é que, para seguir no mercado, esses médicos passaram a vender os dispositivos como tratamento para várias doenças como endometriose, Síndrome do Ovário Policístico (SOP), lipedema e até sintomas da menopausa. Porém, em nenhuma delas há evidência de que funcionem. É nessa brecha que o sistema se sustenta.
Não existem dados oficiais sobre os implantes hormonais — eles não são rastreáveis. O mercado de farmácias de manipulação, onde esses dispositivos são feitos, faturou R$ 11,3 bilhões entre 2019 e 2023 com suas produções, inclusive com os dispositivos. O que especialistas ouvidos pela reportagem dizem é que esse montante foi puxado pelos implantes.
Não há qualquer outro dado público que sirva como base para entender a real dimensão do mercado de implantes – e isso é também parte da estratégia. Os produtos não são vendidos em farmácias comuns, não aparecem nas bases de medicamentos industrializados e circulam por uma cadeia própria.











