A primeira-dama do Estado, Camila Mariz, participou nesta quarta-feira (29), por videoconferência, do Encontro Nacional das Ouvidorias das Mulheres, promovido pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em Brasília, ocasião em que foram abordados diversos temas sobre a violência de gênero, como os impactos do feminicídio sobre crianças e adolescentes —Camila conduziu a palestra “Órfãos do feminicídio — depoimento” e relatou a experiência que viveu aos 10 anos de idade quando teve a mãe assassinada pelo pai.
Camila Mariz, que também é advogada e vice-presidente da Comissão de Combate à Impunidade e Violência Doméstica da OAB/PB, destacou a importância do encontro híbrido — presencial e remoto — no fortalecimento da rede de proteção às mulheres. “Fiquei muito honrada em contribuir nas discussões desse importante evento do CNMP na perspectiva de advogada, que acredita no rigor da lei; na condição de primeira-dama, que enxerga o Estado como garantidor de direitos. Mas, acima de tudo, falar como uma mulher que conhece, na própria pele, o silêncio ensurdecedor que fica quando uma voz feminina é calada”, pontuou.
Na palestra que ministrou “Órfãos do feminicídio — depoimento”, a primeira-dama destacou: “Quero que imaginem uma menina de 10 anos, no interior do Sertão paraibano, em São João do Rio do Peixe. Eu era essa menina quando o feminicídio invadiu minha casa e levou minha mãe. Naquele momento, eu não perdi apenas meu porto seguro; perdi o mundo como o conhecia.”
“Fui acolhida pelo amor e pela resiliência da minha família. Foi essa rede de apoio afetiva que me ensinou que o trauma não precisa ser um destino inapelável, mas pode ser transmutado em propósito. Se hoje luto por direitos, é porque tive o privilégio de não ser invisível para aqueles que me cercavam. Infelizmente, essa não é a regra. O cenário que enfrentamos hoje é de uma urgência avassaladora. Somente no último ano, o Brasil registrou mais de 1.500 feminicídios, uma média de 4 mulheres mortas por dia. O órfão do feminicídio vive uma tragédia multidimensional: a perda violenta da mãe e, com frequência, a ausência do pai para o sistema prisional. Estima-se que, anualmente, o país gere 2 mil novos órfãos nessas condições. Somos sobreviventes de uma guerra que não escolhemos lutar. E o Estado não pode ser um espectador passivo dessa guerra”, afirmou, ainda, Camila Mariz.
Ela ainda destacou as ações que o Governo da Paraíba tem adotado para enfrentar e combater o feminicídio. “Na Paraíba, temos trabalhado incansavelmente para que o Estado não chegue apenas após o crime. Como primeira-dama, minha missão, ao lado do governador Lucas Ribeiro, é garantir que a gestão pública ofereça o que chamo de ‘maternidade institucional’. Para que uma criança não se torne órfã, precisamos proteger a vida da mulher de forma ostensiva. Por isso, fortalecemos a Patrulha Maria da Penha. Ela não é apenas uma viatura nas ruas; é o braço forte do Estado que monitora as medidas protetivas, que bate à porta da mulher ameaçada e diz: ‘Você não está sozinha’. Quando a Patrulha funciona, nós interrompemos o ciclo de violência antes que ele chegue ao ponto sem retorno que destruiu a minha infância”, ressaltou.
A palestra da primeira-dama Camila Mariz “Órfãos do feminicídio — depoimento” foi precedida pela palestra da promotora de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) Cláudia Garcia, que abordou o tema “Órfãos do feminicídio”, com base em sua experiência institucional e acadêmica. Cláudia também é membra auxiliar da Corregedoria Nacional do Ministério Público e colaboradora da Comissão de Defesa dos Direitos Fundamentais.
O evento ainda contou, entre outras autoridades, com a presença da coordenadora do Centro de Apoio Operacional às promotorias de Justiça de Defesa da Criança e do Adolescente do Ministério Público da Paraíba, Fernanda Pettersen Lucena, que ministrou palestra sobre casamento infantil. A abertura do encontro foi conduzida pelo ouvidor nacional do Ministério Público, conselheiro Gustavo Sabóia.











