A sucessão municipal em Alhandra, no Litoral Sul da Paraíba, começou a ganhar contornos de incerteza e possível divisão dentro do grupo governista. Durante participação no podcast local Litoral em Ação, o prefeito Marcelo Rodrigues (MDB) deixou claro que ainda não há definição sobre quem será o nome apoiado por ele nas eleições de 2028 — declaração que gerou desconforto público na vice-prefeita Zilda do Varejão.
Questionada pelo apresentador Luciano Brocador sobre a possibilidade de disputar a Prefeitura, Zilda se antecipou e afirmou estar pronta para o desafio. “Estou preparada, querendo e coloco meu nome à disposição do grupo”, declarou, sinalizando disposição clara para entrar na disputa com o apoio da atual gestão.
A resposta do prefeito, no entanto, seguiu em outra direção. Marcelo Rodrigues tratou de esfriar o debate e reforçou que o momento ainda não é de definição. “Eu sempre tenho dito a quem me pergunta o seguinte: o momento não é de discutir”, afirmou.
O gestor também indicou que pretende conduzir o processo com cautela e sem imposições. “No momento certo eu vou decidir. Dar minha opinião, eu não vou decidir. Eu vou dizer que esse é o meu candidato. Eu não posso obrigar ninguém a me acompanhar”, disse, acrescentando que confia na unidade do grupo político. “Eu acredito que o grupo que está conosco vai estar unido, coeso com a minha opinião.”
Marcelo revelou ainda que pretende ouvir a população antes de bater o martelo. Segundo ele, todos os dez vereadores da base já foram consultados, e pesquisas eleitorais deverão orientar a escolha do nome mais competitivo.
Apesar da cautela, o prefeito fez um aceno à vice-prefeita ao elogiá-la publicamente. “Hoje, a minha candidata é Zilda. Amanhã, a Deus pertence. Eu creio que cada dia que se passa ela se solidifica mais, porque está trabalhando, participando da gestão e tem uma aceitação muito grande, especialmente no meio feminino”, pontuou.
Nos bastidores e durante a própria entrevista, no entanto, o clima não pareceu tão alinhado. O desconforto de Zilda com a fala do prefeito foi perceptível, sobretudo diante da falta de uma sinalização mais firme de apoio. A postura de Marcelo, evitando cravar um nome e abrindo espaço para outros possíveis candidatos, aumentou a percepção de instabilidade dentro do grupo.
A combinação entre a disposição pública da vice-prefeita em disputar o cargo e a indefinição do prefeito acende um alerta político: cresce a possibilidade de um racha no grupo governista de Alhandra até 2028. O cenário, ainda em fase inicial, indica que a sucessão municipal pode ser marcada por disputas internas e rearranjos políticos nos próximos anos.











