Em tom apocalíptico e ritmo frenético, banda paraibana lança terceiro trabalho nesta sexta-feira, 27 de março.
Corre lá que já está disponível nas principais plataformas de streaming o novo álbum de Wil Cor e Eletrocores, uma das mais férteis bandas da cena alternativa da Paraíba, atualmente.
“Ninguém vai se salvar, assim mesmo em timbre estrepitoso e cor de sangue, é um manifesto afroindígena urbano, define a banda.
Não por acaso a banda é liderada, conduzida pelo frontman Wil, um afroindígena cosmopolita (carioca de nascença, mineiro de passagem e paraibano de coração, onde se radicou e vive há quase 10 anos).
Se o título, apropriadamente, anuncia o apocalipse “Ninguém vai se salvar”, a capa, um mosaico de colagem de jornais, ilustra o caos humano na Terra, com manchetes remetendo a crimes e mudanças climáticas ambientais.
Mas, é o recheio do disco, o som, que acelera o colapso que a ação do homem promove no mundo em que vivemos.
Riffs que beiram a convulsão, cozinha grooveada, mensagens contundentes, palavras certeiras cortando a carne que teima em cortar a selva.
Toda vibração da banda Wil Cor & Eletrocores traduzida no mais puro sumo do groove-rock, que opera numa frequência de guitarras poderosas, alinhada a um baixo suingado e bateria percursiva, que valorizam a ancestralidade rítmica.
Oito faixas buscando a “batida perfeita” entre a pulsação afro-nordestina mixada ao rock setentista brazuca.
As canções
1)“Instiga fusion”– É ritmo tribal poderoso com uma cama de riffs hipnóticos. É “fusion” com sua descarga elétrica pulsante, irrequieta. A mensagem busca abstrações, captura elementos além-terrenos, fala sobre as virtualidades que nos ajudam a enfrentar as vibrações negativas;
2)“Chama pra cantar” – A energia acelerada permanece na segunda faixa, que funciona quase como um encontro de transição, visto que as duas músicas se misturam em ritmo acelerado e na busca por sobrevida alternativa neste mundo pantanoso. O “balanço” agora é um rock funkeado. Com direito a inspiração e citação direta ao pai do samba-rock, Jorge Ben.
3) “Beradêro” – Nem o aboio de Chico César,escapa ao groove-rock de Wil Cor e Eletrocores. A única versão do disco mira em uma das maiores inspiraçõs do grupo, que inclusive já ganhou homenagem em música exclusiva do quarteto: “Valei-me meu guerreiro Chico César”. Aqui, o clássico do paraibano ganha um versão eletrizante pela primeira vez;
4)“Rio Tinto” – A histórica e controversa cidade da Grande João Pessoa ganha uma base instrumental visceral, com “pisadas” no afrobeat, fala sobre a resposta indígena a invasão das terras potiguaras;
5) “Ninguém vai se salvar”-A “música-título” revisita o setentismo alternando guitarras ruidosas, refrão soul, e versos sobre o amor a terra, a vida, e a secular resistência dos povos originários em revide às opressões históricas;
6) “Bem fundo” – Camada sonora densa para preparar o terreno para a narrativa ilustrando o drama pessoal diante das pressões sociais;
7) “Todo mundo quer funk” – A frase de guitarra “pegajosa” brinca com a brasilidade sonora e mistura o funk universal com o nacional;
8) “Eu acho é pouco” – Introdução soturna, remetendo a um baixo post punk, até desaguar num rock in roll dançante, de refrão potente, falando sobre encarar a vida de forma vibrante.
Ficha Técnica
A banda Wil Cor & Eletrocores é formada por Dodô Trindade no baixo e vocais, Erick Henrique na bateria, Samir Cesaretti na guitarra e vocais, e Wil Cor no vocal. Criada em João Pessoa, Paraíba, acumula apresentações em todos os principais eventos da cidade, como Palco Tabajara, Natal da Usina Energisa, Festival Alumiô, Música Preta Salva, Rock na Usina, etc., depois percorreu algumas cidades do interior graças a parceria com BNB Cultural; também fez lançamento no Festival do DoSol em Natal, e no Bem Brasil em São Paulo. Formação:
O álbum audiovisual foi gravado ao vivo no estúdio do selo DoSol, responsável por grandes lançamentos como Zefirina Bomba, Ferve e Felipe Cordeiro, Zepelim e o Sopro Cão, entre outros. O engenheiro de áudio Yves Fernandes, e a direção geral de Anderson Foca e Ana Morena.














