Durante o mês de janeiro, cerca de 60 artesãos vinculados ao Celeiro Espaço Criativo, equipamento mantido pela Secretaria de Educação e Cultura (Sedec) da Prefeitura de João Pessoa, estão participando do 41º Salão do Artesanato Paraibano, um dos principais eventos do setor no Estado. A iniciativa amplia a visibilidade da produção artesanal paraibana em plena alta temporada turística da Capital, marcada pelo verão e pelas férias escolares.


De acordo com a coordenadora do Celeiro Espaço Criativo, Priscilla Soares, os artesãos participam por meio de edital e permanecem durante todo o período do evento. “Tem uma média de 60 artesãos que são do Celeiro expondo no Salão do Artesanato. Eles participam de uma seleção por curadoria e ficam do início ao fim da feira. São diversas tipologias, com artesãos de toda a Paraíba, todos cadastrados com a carteirinha de artesão emitida pelo Estado”, explicou.
O 41º Salão do Artesanato Paraibano acontece até o dia 1º de fevereiro de 2026, no estacionamento do Hotel Tambaú, na orla marítima de João Pessoa. Nesta edição, o evento traz como tema ‘Mosaico – Arte em Cada Parte’, uma referência a uma tipologia presente em diversos monumentos da Capital, e homenageia nove artesãos mosaicistas: Antônio Jacob, Therezinha Cattena, Wallace Verçosa (Wally), Maria Lúcia (Marilu), Hosana Batista, Francisca Ramalho Diniz, Andréa Cahino, Cristiane Galdino e Tereza Cristina.
Ao todo, cerca de 600 expositores apresentam o que há de melhor no artesanato e na gastronomia paraibana, em uma estrutura climatizada de aproximadamente 6 mil metros quadrados, com praça de alimentação e cerca de 30 atrações culturais distribuídas ao longo do evento. Além da feira, parte da programação inclui ainda um desfile de moda marcado para o dia 31 de janeiro, que será conduzido pelo estilista Ronaldo Fraga.
Entre os artesãos participantes está Conceição Emiliano, responsável pelos produtos d’As Cabritas de Boa Vista, que participa do Salão desde a primeira edição, com peças vibrantes confeccionadas em chita para decoração do lar. Para ela, o evento segue sendo fundamental para a comercialização do trabalho artesanal. “O salão está ótimo. O retorno está maravilhoso. Espero vender bastante e ter muitas encomendas até o fim da edição”, avaliou.



A artesã Brenda Morais, da marca îasy Ateliê, que trabalha com macramê, cestaria e moda em algodão 100%, destaca a importância do Salão para a visibilidade e valorização do artesanato. “Participar do Salão do Artesanato em 2026 tem sido mais uma grande oportunidade. É um dos eventos mais aguardados do ano pelos artesãos. O retorno vem pelo reconhecimento do público, pelo contato direto com o cliente e pela valorização do trabalho feito à mão”, afirmou.


Segundo ela, o suporte oferecido pelo Celeiro faz diferença ao permitir que as peças estejam disponíveis tanto no Salão, de forma temporária, quanto no espaço fixo durante todo o ano. “É muito comum que turistas e visitantes nos perguntem no Salão onde mais podem encontrar o nosso trabalho, já que sabem que o evento é temporário. Nesses momentos, o Celeiro sempre é a principal referência que indicamos, pois nos oferece visibilidade contínua e um espaço permanente para que o público continue tendo acesso às nossas peças ao longo do ano”, ressaltou.
O artesão Marinaldo da Silva Santos, conhecido como Zóio, da Zóio Art Metal, também celebra os resultados. “Está sendo muito bom, tanto em relação ao alcance do meu trabalho quanto ao retorno financeiro”, disse. Atuando há quatro anos como artesão, Marinaldo contou que iniciou a produção artística como forma de terapia durante um tratamento de saúde e que, a partir do reconhecimento de seu trabalho, passou a integrar o Celeiro, o Museu do Artesanato Paraibano e a Feira Móvel da Prefeitura de João Pessoa. Recentemente, ele foi premiado em terceiro lugar na Expo Minas, em Belo Horizonte, com uma peça que hoje integra o acervo do Ministério do Turismo.


Já o artesão Antônio Dantas Silva, da Couros Fenrir, que confecciona bolsas e acessórios em couro legítimo, participa do Salão pela sexta vez. “Como o meu produto tem uma boa aceitação, temos um certo retorno. Trabalho com artesanato há sete anos e, embora seja uma segunda fonte de renda, é uma atividade que me permite continuar produzindo arte”, afirmou. Segundo ele, o público nesta edição está maior em comparação aos anos anteriores. De acordo com sua esposa, a artesã Andrea Silva, “o turista que vem de outras regiões admira e valoriza muito o nosso trabalho, sabe o que é o artesanato de verdade, feito a mão. Eles vêm para cá buscando isso, e grande parte das nossas vendas é para o Sul e o Sudeste”, afirmou.


Guariguazi de Lima Tavares, artesão conhecido pelo título de ‘escultor das cores’, esculpe na madeira elementos folclóricos e regionais, que têm atraído o público visitante do 41º SAP. “Toda edição trago novidades, peças novas, e sempre consigo boas vendas e muitas encomendas”.



Já para o escultor Francisco Sales, que também produz artesanato em madeira, onde retrata a cultura popular nordestina, participar do evento é importante, mas a exposição permanente dos produtos no Celeiro garante mais visibilidade e vendas mensais. “Sempre participo do Salão, mas meu foco é o Celeiro. Lá é onde minhas peças têm mais saída e todo mês eu consigo um retorno financeiro”, asseverou.


O artesão Lamartine Nunes, que usa a madeira para produzir réplicas de casas regionais e utilitários, também reforçou a importância do Celeiro como uma vitrine contínua do trabalho dos expositores e destacou o cuidado e atenção que o espaço criativo tem com todos. “Todos recebem espaço e atenção, e as peças ficam expostas para vendas o ano inteiro”.

Além dos artesãos que fazem parte dos expositores do Celeiro, também é possível encontrar produtores que são apoiados pela Prefeitura de João Pessoa através de outras secretarias, como é o caso da crocheteira Fabyana Lopes. Ela produz amigurumis, bolsas e vestuário para a Donna Aninha, e comercializa suas peças na Feirinha de Economia Criativa, realizada pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), evidenciando a atenção e apoio que a gestão municipal dedica aos produtores artesanais, valorizando a cultura e impulsionando a economia local.
Visitações em alta no Celeiro – Além da participação no Salão do Artesanato Paraibano, o Celeiro Espaço Criativo Cantor Gabriel Diniz continua funcionando normalmente no Centro Histórico de João Pessoa, recebendo turistas e visitantes durante todo o ano. Segundo Priscilla Soares, os meses de dezembro e janeiro costumam registrar aumento significativo na visitação.
“A procura no mês de janeiro é sempre grande, principalmente por causa do fluxo de turistas. Os meses de dezembro e janeiro são muito bons de visitação aqui no Hotel Globo. O projeto Sol Maior [evento musical semanal da PMJP], durante o pôr do sol nas sextas-feiras, também atrai visitantes, que acabam conhecendo o nosso artesanato”, destacou.
Localizado nas dependências do Hotel Globo, no Largo de São Frei Pedro Gonçalves, no bairro do Varadouro, o espaço funciona diariamente, inclusive feriados, das 8h30 às 17h, com entrada gratuita. Atualmente, cerca de 70 artistas paraibanos têm obras expostas no local, que reúne artesanato, cultura popular, artes visuais e design, com peças produzidas em madeira, ferro, cerâmica, papel, tecido, entre outros materiais.
Vinculado à Secretaria de Educação e Cultura, o equipamento tem como objetivo fortalecer a divulgação e a comercialização da produção artesanal da Capital e de diversas cidades da Paraíba. Nesta época do ano, o público médio chega a aproximadamente 500 visitantes por dia, podendo alcançar 700 nos fins de semana.
Para o artesão Marinaldo, “o Celeiro é uma das maiores galerias de exibição de arte aqui da Paraíba. É gratificante ter minhas peças expostas lá”, declarou.
Serviço:
41º Salão do Artesanato Paraibano – “Mosaico: Arte em Cada Parte”
Período: até 1º de fevereiro de 2026
Horário: 16h às 22h (todos os dias)
Local: Estacionamento do Hotel Tambaú – Orla de João Pessoa
Entrada: 1 kg de alimento não perecível
Celeiro Espaço Criativo Cantor Gabriel Diniz
Local: Hotel Globo – Largo de São Frei Pedro Gonçalves, Centro Histórico de João Pessoa
Funcionamento: domingo a domingo, das 8h30 às 17h
Entrada: gratuita











