ONU pede que bancos públicos de desenvolvimento deixem de financiar projetos de combustível fóssil

Os negócios ao redor do mundo tendem a retomada da rotina nesta pandemia, aderindo às ações que tenham viés na sustentabilidade, e essa semana, em defesa da causa, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres fez pronunciamento solicitando aos bancos de desenvolvimento que interrompam o apoio a projetos de combustíveis fósseis.

A pressão aos credores públicos mundiais prepara o caminho para a primeira reunião global sobre a mudança climática com os bancos de desenvolvimento no evento, “Finance in Common Summit”, no dia 12 de novembro deste ano, na França.

Guterres pediu uma reunião virtual de uma coalizão de ministros da Economia e formuladores de políticas econômicas de dezenas de países para garantir que os bancos de desenvolvimento eliminem os investimentos em combustíveis fósseis, aumentem rapidamente o suporte à energia renovável e apoiem projetos para ajudar os mais expostos aos impactos das mudanças climáticas.

Para a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema) e vice coordenadora do Laboratório de Combustíveis e Materiais da Universidade Federal da Paraíba, Nataly Albuquerque, a matriz energética mundial é composta principalmente por combustíveis fósseis, como o carvão, petróleo e gás natural.

De acordo ainda com Nataly, dados da Agência Internacional de Energia (IEA) reportam que, em 2018, 80% da matriz energética mundial é composta por fontes não renováveis.

Segundo ainda a coordenadora do Prodema, a queima de combustíveis fósseis por automóveis e indústrias impactam ao meio ambiente com a liberação de gases poluentes e material particulado, e como consequências ambientais decorrem o aquecimento global e a chuva ácida. “Outro efeito negativo está relacionado aos danos à saúde da população, podendo causar doenças respiratórias e cardiovasculares”, lembrou.

Nataly destacou que a geração de energia por fontes alternativas, renováveis e menos poluentes em relação aos combustíveis fósseis tem sido prioridade de vários países, e no Brasil, por exemplo, observa-se o aumento da geração de energia eólica e energia solar na matriz elétrica, como também o uso dos biocombustíveis na matriz veicular.

Ela disse ainda que as publicações da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) reportam o aumento, em 2019, no consumo final de biodiesel de 9,3% e o consumo final de etanol em 11,1%. No entanto, a EPE indicou que em 2019, do total de emissões antrópicas associadas à matriz energética brasileira, a maior parte é gerada no setor de transportes. “Portanto, é importante incentivar ainda mais a utilização dos biocombustíveis e avançar com as políticas públicas, como o RenovaBio”, destacou.

O presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool na Paraíba (Sindalcool), Edmundo Barbosa adiantou que os produtores de etanol da Paraíba saúdam com esperança a iniciativa do secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, de realizar uma primeira reunião global de todos os bancos públicos de desenvolvimento para restringir os financiamentos aos investimentos nos combustíveis fósseis, altamente poluidores.

“Defendemos o meio ambiente em que produzimos. Defendemos a ética e a lealdade diante das evidências das causas e das consequências da poluição”, destacou Edmundo.

Sindalcool com Agência Brasil

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