COMPANHEIROS DO ISOLAMENTO SOCIAL, por Demétrius Faustino

Embora Eduardo Dusek tenha clamado pra você “trocar seu cachorro por uma criança pobre”, relatos sobre a pandemia dão conta de que o animal de estimação têm sido parceiro e ajudado muitas pessoas a seguir firme no isolamento social, principalmente o cachorro, pois sem dúvida sempre foi e é o companheiro mais fiel de todos os animais irracionais, que, entre as qualidades estão a obediência e a lealdade. Nos tempos atuais, podemos afirmar que o gato também está perto das pessoas como está o cachorro, muito embora tenha mais esperteza do que fidelidade, porquanto não muito cumpridor de compromissos.

Como diria o escritor George Eliot, os animais são amigos muito agradáveis, não fazem perguntas, nem manifestam desaprovação. Em sentido contrário, certos seres racionais não examinam bem as palavras quando vão se expressar, não enxergando os problemas que causam e nem suas consequências.

Alguém também já disse que a famosa frase “até que a morte nos separe”, pode ser falho nas relações humanas, mas com os animais de estimação a situação é diferenciada. E também não é à toa que existe a máxima o cão é o melhor amigo do homem.

Nesse momento de pandemia, em que vivemos um culto de crueldade, foi constatado por ONG´s, que o isolamento social levou muita gente a ir em busca da adoção de um animal que lhe tenha apreço. Sem dúvida, é uma ótima companhia contra a solidão desse isolamento. Seja na gripe espanhola, gripe asiática, gripe de Hong Kong e o coronavírus surgido em Wuhan, na China, em 2019, e que se espalhou rapidamente pelo mundo, Eles foram e são uma fonte de amor e de apoio para ajudar na solidão da alma e superar esse território psíquico rude, áspero que é o confinamento.

Outro bom companheiro na pandemia é o livro, pois além de ser uma forma de percorrer o mundo sem sair de casa, ler também, cremos, reduz o estresse. A leitura além de ser uma poderosa aliada para a nossa saúde mental, ainda faz com que percebamos que não estamos sozinhos na vivência de nossas adversidades.

Aliás e por falar no assunto, é imprescindível mencionar aqui, embora não seja o objetivo do texto, que existe uma proposta do ministro Paulo Guedes de incluir a taxação do livro na reforma tributária, no que ameaçaria de modo crítico a manutenção do setor, agoniando editoras, livrarias e gráficas, em especial as de pequeno porte, atingindo de modo dilacerante o mercado de trabalho e a renda de autores e demais profissionais. Como diria Evanildo Bechara: Trata-se de um governo coerente: assim como nega a ciência e despreza a cultura, valoriza as armas e taxa os livros.

Voltando ao contexto, não devemos esquecer um outro antídoto que é a música, pois tem sido a chama que repele de dentro da alma qualquer sentimento menor. É onde a gente se acalanta e deita na solidão acompanhada. A música fortalece o sentimento de esperança e a possibilidade de que tudo passará e de que dias melhores virão com o fim da pandemia do coronavírus, restando-nos resolver outra pandemia, que é o vírus da desigualdade.

Deixa eu te espiar/ Finge que não vê/ O que temos são janelas/ Em tempo de quarentena/ Nas sacadas, nos sobrados/ Nós estamos amontoados e sós/ O que temos são janelas e panelas… Adriana Calcanhotto.

 

João Pessoa, final de agosto do ano pandêmico.

você pode gostar também Mais do autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.