“VAI PASSAR…” – O BLOCO DOS ARTISTAS NA POLÍTICA; escreve Marcos Thomaz

Esta semana um burburinho em torno da escritora Lya Luft foi gerado após a mesma declarar arrependimento em ter votado no presidente Jair Bolsonaro.

Confesso que nunca li mais que uma dexzena de colunas da “dita cuja” na Revista Veja e provavelmente nunca lerei um único livro…

Talvez só me lembrasse dela por conta do remédio para gases Luftal, que em gracejo adolescente, associava ao nome da senhora Lya! O que, apesar de sem graça, se fazia bem pertinente às minhas impressões, afinal autoajuda sempre me deu embrulho no estômago… Sim, para mim,a citada pratica esta técnica de escrita psicológica camuflada de romance, poesia, o que for…

Deixando de lado minha nula intimidade com a coach, digo escritora, fato é que após o mea culpa público da mesma logo surgiu a manifestação dos patrulheiros virtuais a favor e contrários a absolvição da mesma!

Eu, que detesto este justiçamento virtual sobre tudo e todos, com práticas cruéis como o tal “cancelamento” etc e tal, apenas assisto! Essa coisa de pagar de “palmatória do mundo” na internet é bem covarde, pois se baseia em anonimato, distanciamento, muitas vezes em boatos, ou informações inconclusivas e, via de regra, se configura em ação coletiva, em grupo, sem chance de defesa, ou reação ao “acusado”… Mas isso é papo para outro texto…

Aqui mesmo, quero dizer que este episódio da Lya Luft me suscita outra questão histórica: “afinal a arte tem obrigação de ser engajada??”

Como não sou pessoa de “arrudeio”, arremato logo: “a arte não tem obrigação de ser sempre politizada, ou panfletária! Mas se não quer ajudar, não atrapalha senhora Lya!” Há uma enorme, brutal diferença entre a sua “bagagem” de informação e a de outros milhões de brasileiros! E sobre Bolsonaro, categoricamente, não cabem concessões. Há os que votaram nele por desinformação, e há os que se identificavam com os valores calhordas! Difícil imaginar vossa senhoria sem capacidade de leitura do que nos rodeia, né??

Portanto, nesta perspectiva, faço côro aos que não engolem esse mezzo arrependimento, porque ele contempla apenas a negação a pessoa Bolsonaro e não engloba a ruptura com os símbolos que a aproximou dele e, pelo visto, permanecem latentes contigo. Ainda assim não a “cancelarei”, ou participarei do linchamento internético…

Tenho mais o que fazer e uma destas relevantes ações foi tratar no AUMENTA de maneira abrangente e sobre artistas muito mais atuantes que a pobre de espírito, Lya! O programa desta semana trouxe à tona exatamente o tema “Música e Política”! Uma saborosa viagem pelo cancioneiro mundial em forma de músicas que se transformaram em verdadeiros hinos de protesto e resistência nas ruas. De Chico Buarque a Rage Against the Machine, de Tom Zé a System of a Down, passando pela força da música paraibana, de Geraldo Vandré a Gatunas! Poesia reflexiva, denuncismo social, gritos de liberdade, sopros de resistência!

Quem quiser pode conferir o podcast do AUMENTA procurando o nome do programa nas principais plataformas de streaming, ou buscando por edições no perfil da Rádio Tabajara nestes mesmos espaços:

Se divirta e se engaje!

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