Violência, presente! Por Demétrius Faustino

De forma retardatária, aproveitamos para lembrar a triste realidade da condição da mulher em nosso Brasil, cujo exemplo no momento atual se revela no desumano e cruel assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL do Rio de Janeiro.

Entretanto, cremos que novos rumos virão, pois como dito por toda a imprensa brasileira, o assassinato da vereadora e de seu motorista Anderson Gomes no bairro do Estácio, na Região Central do Rio, quando voltava de um evento na Lapa, está preocupando os protagonistas do crime, pois não imaginaram que, ao silenciá-la, estavam dando voz a milhares de pessoas, que clamaram uma certeza: “Marielle presente”.

Mas o que é degradante nesse brutal assassinato é a exacerbação da radicalização política por parte da direita extrema, ao apresentar sua face hitlerista. Essa classe política que já estava quase em extinção, e que ressuscitou por conta de um golpe, não esperou nem confirmação de teorias que ligam a vereadora Marielle a traficantes e facções criminosas para se pronunciar. É como se esse fato, se verídico, que não é, justificasse esse ato de perversidade.

De repente, as redes sociais se entopem de notícias falsas, falaciosas e cavilosas, compartilhadas sem nenhum conhecimento de causa, por causa de uma postagem do deputado federal do DEM Alberto Fraga, que se utilizando da pós-verdade, que nada mais, nada menos é a aliança da mentira com o preconceito, elenca fatos tão inverídicos, a ponto do PSOL protocolar uma denúncia no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, contra esse parlamentar, que inclusive confessou não ter certeza da veracidade dos fatos postados. Foi matéria do Bom Dia Brasil da Rede Globo de Televisão.

E o que mais chama a atenção, é a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ter acusado a vereadora de estar “engajada com bandidos” e de ter sido eleita pela facção criminosa Comando Vermelho. Por causa dessas declarações, o PSOL entrou com uma representação no Conselho Nacional de Justiça contra a magistrada. Na segunda-feira passada (leia-se 19/03/2018), a desembargadora publicou uma espécie de “mea culpa”, em postagem no Facebook, afirmando que suas declarações foram “precipitadas”.

Particularmente, o que sei sobre Marielle é que ela era a única mulher negra entre os 51 vereadores do Rio de Janeiro que denunciava a violência policial e o alto índice de assassinatos nos morros cariocas. E tenho dito.

Tais preconceitos nos remonta ao grande Paulo Coelho: não adianta pedir explicações sobre Deus; pode-se escutar palavras bonitas, mas, no fundo, são frases vazias. Da mesma maneira que você pode ler toda uma enciclopédia sobre o amor, e não saber o que é amar.

O assassinato da vereadora Marielle Franco, não é uma divina comédia humana, mais sim, um drama inserido numa coleção de fatos trágicos que consome o país, cuja democracia golpista está em meio a dificuldades de diversas conotações, a exemplo da radicalização política que impede uma ação conjunta de forças apartidárias quando momentos como esse nos batem de frente.

Talvez as mobilizações de protestos que vem ocorrendo, que segundo a mídia mundial não houve outras desde a execução do líder seringueiro Chico Mendes, acorde o povo brasileiro, para dizer o país que queremos.

João Pessoa, Março de 2018

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