Dados do Banco Central demonstram que, mesmo com juros elevados, a alta é sustentada por renda, emprego e demanda habitacional
O crédito imobiliário na Paraíba iniciou 2026 com um total de recursos de R$ 21,2 bilhões, segundo dados do Banco Central do Brasil. O valor representa crescimento de 13,6% em relação ao ano anterior. A expansão ocorre em meio ao avanço da renda, à melhora no emprego e à permanência do déficit habitacional, fatores que mantêm a procura por financiamento no estado.
O movimento acompanha a trajetória nacional. Na Paraíba, o avanço em dois dígitos reflete a combinação entre a procura por imóveis e mudanças nas fontes de financiamento. Durante anos, a poupança foi a principal base de recursos usada pelas instituições financeiras para conceder crédito habitacional, mas esse cenário começou a mudar.
“Historicamente, a principal fonte de recursos para o crédito imobiliário foi a poupança. Nos últimos períodos, porém, o crescimento desses depósitos perdeu força. Em resposta, outras fontes passaram a ganhar espaço, como o FGTS e instrumentos do mercado financeiro, como LCIs e CRIs, títulos de renda fixa usados para financiar o setor”, explica Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste.
O crescimento ocorre mesmo em um contexto de maior restrição nas condições de financiamento. A taxa básica de juros elevada encarece o crédito e reduz a capacidade de pagamento das famílias. “O que a gente observa é uma demanda que não se retraiu, mesmo com um ambiente de crédito mais caro. Há uma base estrutural forte, que envolve renda, necessidade de moradia e dinâmica demográfica”, acrescenta Figueiredo.
Esse movimento também aparece nas cooperativas de crédito e ajuda a explicar o avanço no estado. Na Paraíba, a carteira imobiliária do Sicredi cresceu 42% em 12 meses, alcançando R$ 22,7 milhões em fevereiro de 2026. A cooperativa alcançou esses números ao permitir financiar até 90% do valor de imóveis residenciais em operações com prazos de até 35 anos seguindo um sistema de amortização constante, em que o valor das parcelas tende a diminuir ao longo do tempo.
“O modelo no Sicredi também permite o uso do FGTS para aquisição, construção ou amortização do saldo devedor, além da possibilidade de portabilidade de financiamentos contratados em outras instituições. Isso tudo cria um conjunto de condições que busca se adaptar à realidade do associado”, afirma o especialista.
Outro fator relevante para o crescimento do crédito imobiliário é a política habitacional. O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) tem ampliado o acesso ao crédito para famílias de menor renda e sustentado parte das operações no país. A iniciativa mantém o fluxo de financiamento mesmo em períodos de juros mais altos e contribui para o atendimento da demanda por moradia.
O mercado também acredita na elevação do crédito imobiliário em 2026 devido ao recente anúncio feito pelo Governo Federal, que vai possibilitar mais de um financiamento imobiliário por CPF. “Além da nova Faixa 4 do MCMV, que já tem contribuído para o aumento das vendas, a nova possibilidade de realizar mais de um financiamento por CPF vai destravar vendas para quem já tem outro imóvel financiado”, celebra Pedro Farias, gestor Comercial da MRV na Paraíba.
“Com essas mudanças, seguimos confiantes no potencial do estado e vamos continuar investindo com novos empreendimentos que acompanhem o crescimento da cidade e as demandas das famílias. É um movimento de inclusão e transformação urbana. Com políticas públicas eficientes, crédito acessível e empresas comprometidas com esse propósito, estamos ajudando a construir histórias e movimentando toda uma cadeia de geração de renda”, reforça o gestor da MRV.
Na hora de adquirir um imóvel, o Head de Soluções Imobiliárias da SIR Investimento, Pedro Tomaz, aponta duas principais alternativas no mercado. “Para quem pode esperar, o consórcio aparece como uma alternativa relevante para uma compra mais planejada. Já para quem precisa comprar de forma imediata, o financiamento ainda é uma opção, desde que usado com estratégia, comparando taxas e considerando a portabilidade de crédito no futuro”, orienta.
“A tendência é de continuidade desse processo”, afirma Artur Figueiredo. “Com a manutenção da demanda e das condições de negócio, o mercado deve se tornar mais diversificado, com maior presença de diferentes fontes de recursos e modelos de financiamento que levam à ampliação do acesso ao crédito”.











