O Ministério Público da Paraíba, por meio do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), informa que instaurou procedimento para identificação e punição no âmbito disciplinar e penal do torcedor que, de acordo com imagens divulgadas na imprensa, se envolveu em confusão e sacou uma arma nas arquibancadas do Estádio José Américo de Almeida Filho, em João Pessoa, durante a partida realizada em 21 de março de 2026, válida pela final do Campeonato Paraibano.
Para tanto, foi solicitado em ofício que o Comando Geral da Polícia Militar da Paraíba encaminhe, no prazo de três dias, identificação do referido torcedor, utilizando o banco de dados da empresa organizadora do evento, bem como da empresa responsável pelo sistema de reconhecimento facial, uma vez que o ingresso na praça esportiva estava condicionado à prévia submissão a esse mecanismo de identificação. O Comando Geral também deve informar sobre o protocolo de segurança adotado pela PM para acesso e guarda de armas de fogo por servidores que não estejam no exercício de suas funções, encaminhando cópia da documentação referente ao registro e acautelamento de armas de fogo apresentados no estádio “Almeidão” na tarde do referido jogo, além do relatório geral referente à partida.
Com a identificação e esclarecimentos necessários, serão adotadas as providências para apuração e aplicação das sanções penais, civis e disciplinares previstas no ordenamento jurídico, por meio dos órgãos de execução ministeriais com atribuições para a persecução de tais medidas.
O MPPB reforça a confiança total e irrestrita nas forças de segurança, especialmente PM e Corpo de Bombeiros, a quem parabeniza pelo trabalho ao longo do campeonato e também na final, que contou com público de mais 20 mil pessoas, sendo os distúrbios verificados no fim do jogo prontamente debelados. E afirma que o episódio grave do torcedor armado será tratado com o rigor da lei, em vista do interesse da coletividade e na garantia da segurança dos torcedores, compromisso inegociável da instituição ministerial.
Confusão na arquibanca sol
De acordo com testemunhas, alguns torcedores tentaram invadir o gramado logo após o fim do jogo. Em resposta, policiais militares efetuaram disparos com balas de borracha para conter a situação. Imagens que circulam nas redes sociais mostram também um homem sendo imobilizado por três policiais já dentro do campo.
Torcedores que estavam no local relataram momentos de tensão e desespero. “Após o apito final eu vi alguns torcedores tentando invadir o campo pra comemorar. Desses vários que tentaram, dois conseguiram passar ao campo e foram contidos pela PM. Após isso, a polícia começou a afastar a torcida de perto da grade a base de tiros, o que era quase impossível visto que o estádio tava lotado. Os tiros eram indiscriminadamente direcionados para a arquibancada, sem distinção de pessoas e totalmente desproporcional. Gerou só mais caos e correria, além de muito choro e desespero de mulheres e crianças.”, relatou o torcedor Alex Almeida.
Outro relato aponta que pessoas que não participavam da tentativa de invasão também foram atingidas.“Eu estava com meu filho, de 14 anos, na arquibancada sol. Quando Nenê se aproximou das grades, meu filho pediu para chegar mais perto. Nesse momento, os policiais começaram a atirar, e uma bala de borracha me atingiu de raspão.”, disse Alysson.
Até o presente momento da publicação desta matéria, o Ministério Público da Paraíba se manifestou apenas sobre o caso envolvendo o homem armado na arquibancada sombra.

Públicos diferentes nos setores
A diferença na atuação policial entre os setores do estádio também tem sido alvo de críticas mais contundentes por parte dos torcedores. A arquibancada sol, onde houve disparos de bala de borracha, é composta majoritariamente por torcedores negros, de classes populares e oriundos de áreas periféricas, além de concentrar os ingressos mais acessíveis. Já a arquibancada sombra, com valores mais elevados, reúne predominantemente um público de classe média.











