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Câncer colorretal pode ter aumento de até 36% nas mortes até 2040

O câncer colorretal é hoje um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo o estudo GLOBOCAN 2022, da Organização Mundial da Saúde, a doença registrou 1,93 milhão de novos casos e cerca de 916 mil mortes em todo o mundo, sendo o terceiro câncer mais incidente e a segunda principal causa de morte por câncer globalmente.

No Brasil, a estimativa 2023–2025, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), aponta 45.630 novos casos por ano, colocando o tumor entre os três mais frequentes no país, excluindo o câncer de pele não melanoma.

Para a coloproctologista Dra. Martina Bragante, o câncer colorretal se desenvolve, na maioria das vezes, de forma silenciosa. “Ele começa como um pólipo, uma pequena lesão benigna que cresce lentamente ao longo dos anos e pode se transformar em câncer se não for diagnosticada e retirada precocemente”, explica.

De acordo com a médica, a principal diferença entre os cânceres de cólon e reto está na localização do tumor. “O câncer de cólon atinge a parte mais extensa do intestino grosso, enquanto o câncer de reto acomete a porção final do intestino, próxima ao ânus. O tratamento pode variar conforme a região afetada e estágio da doença”, afirma a Dra. Martina.
Em geral, segundo ela, quando a doença está localizada, o tratamento é cirúrgico, podendo ou não haver necessidade de quimioterapia.

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Dados do INCA mostram que o câncer colorretal afeta homens e mulheres, com discreta predominância no sexo masculino. Já o estudo “Projeções da Mortalidade por Câncer no Brasil até 2040” (Fundação do Câncer, 2023) estima que as mortes por câncer colorretal podem crescer cerca de 36% até 2040, impulsionadas principalmente pelo envelhecimento da população e pelos hábitos de vida não saudáveis.

A Dra. Martina destaca que idade acima de 45 anos, histórico familiar em parentes de primeiro grau, obesidade, sedentarismo, alimentação rica em carnes vermelhas e processadas, tabagismo e consumo excessivo de álcool são os principais fatores de risco. “O consumo frequente de embutidos, carnes processadas e gordura aumenta o risco, enquanto uma alimentação rica em frutas, verduras e fibras tem efeito protetor”, reforça.

Entre os principais sinais de alerta estão sangue nas fezes, mudança no hábito intestinal, dor abdominal persistente, anemia e perda de peso sem causa aparente. “O sangramento nas fezes é o principal sinal de alarme e nunca deve ser considerado normal, mesmo quando a causa pode ser benigna, como hemorroidas”, alerta a Dra. Martina.

Ela explica ainda que alterações intestinais que persistem por mais de duas ou três semanas precisam ser investigadas, especialmente quando associadas a outros sintomas.

O principal exame para detectar o câncer colorretal é a colonoscopia. “É o exame mais sensível, capaz de diagnosticar e também tratar, já que permite a retirada dos pólipos e a realização de biópsias durante o procedimento”, explica a especialista.

Segundo a Dra. Martina, a colonoscopia virtual não substitui a convencional, pois identifica apenas pólipos maiores que 1 cm e não permite tratamento imediato. A recomendação é iniciar o rastreamento aos 45 anos para pessoas sem fatores de risco, com início mais precoce para quem tem histórico familiar.

De acordo com a médica, o diagnóstico precoce faz toda a diferença. “Quando o câncer colorretal é descoberto no início, as chances de cura chegam a cerca de 95%”, afirma. Esse dado é corroborado pelo Relatório Global sobre Câncer Colorretal – OMS, 2022, que reforça a eficácia do rastreamento regular na redução da mortalidade.

O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode envolver cirurgia, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia. “Na maioria dos casos, a cirurgia é necessária, mas muitos pacientes conseguem retomar suas atividades e manter qualidade de vida após o tratamento”, explica a Dra. Martina.

“O câncer colorretal tem crescido nos últimos anos, mas é uma doença que pode ser prevenida. Quando diagnosticamos e retiramos os pólipos durante os exames de rotina, evitamos que eles se tornem câncer. O câncer colorretal tem cura, e a colonoscopia salva vidas”, conclui a Dra. Martina Bragante.

Fábio Augusto
Fábio Augustohttps://pautapb.com.br
Formado pela Universidade Federal da Paraíba em Comunicação Social, atua desde 2007 no jornalismo político. Passou pelas TVs Arapuan, Correio e Miramar, Rede Paraíba de Comunicação (101 FM), pelas Rádios 101 FM, Miramar FM, Sucesso FM, Campina FM e Arapuan FM.

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