A discussão sobre a possível mudança na jornada de trabalho no Brasil, com o fim da escala 6×1, tem mobilizado entidades representativas do setor produtivo em Campina Grande. Em reunião realizada na Associação Comercial e Empresarial de Campina Grande (ACCG), lideranças empresariais demonstraram preocupação com a condução do tema em âmbito nacional e defenderam que qualquer alteração passe por um amplo debate técnico, econômico e social antes de avançar no Congresso Nacional.
O presidente da ACCG, Sidney Toledo, destacou que a proposta exige responsabilidade e análise aprofundada, alertando para possíveis reflexos negativos na economia, na geração de empregos e no funcionamento das empresas. Segundo ele, discutir mudanças estruturais na legislação trabalhista em ano eleitoral pode comprometer a qualidade do debate, reforçando a necessidade de ouvir empresários, trabalhadores e especialistas para construção de uma solução equilibrada.
Durante o encontro, o vice-presidente do Sinduscon-PB, Hélder Campos, também externou preocupação com os impactos da medida, avaliando que alterações na jornada, sem políticas paralelas de redução do chamado “custo Brasil”, podem provocar aumento de preços e desemprego em diversos setores. Na mesma linha, o presidente do Secovi Paraíba, Érico Feitosa, alertou para o risco de fechamento de postos de trabalho e defendeu cautela diante da complexidade da proposta em tramitação no Congresso.
Representando outros segmentos econômicos, o presidente do SindCampina, Divaildo Júnior, ressaltou que a pauta não pode ser transformada em debate populista, enquanto o presidente da CDL Campina Grande, Eliézio Bezerra, chamou atenção para as dificuldades já enfrentadas por micro e pequenas empresas, que lidam com alta carga tributária, queda de receitas e escassez de mão de obra. De forma conjunta, as entidades reforçaram que o posicionamento não é contrário ao debate, mas favorável a uma discussão ampla, técnica e responsável, capaz de garantir equilíbrio entre direitos trabalhistas, sustentabilidade das empresas e manutenção dos empregos.











