Quando eu, egoísta, pensei no Amapá! – Por Marcos Thomaz

Quinta-feira à noite. Além da natural expectativa por saber que logo mais alvoreceria a sexta-feira, o Vitória vencia alguma partida, contra qualquer adversário após quase dez jogos de jejum na sofrível série B do Brasileirão.

 

Eis que tamanho era o espanto pelo resultado, que nem o “Santuário” Barradão resistiu à emoção tão incomum nos últimos tempos.

 

De repente, fez-se o breu no palco do milagre rubro-negro. Escuridão total, jogo interrompido. Estopim para eu me lamuriar, praguejar o destino, desconfiar de alguma sabotagem tricolor e todo tipo de infortúnio.

 

Todo esse calvário às escuras durou nada menos que 20 minutos. Fração de tempo de prazer interrompido, o suficiente para me frustrar indignadamente.

 

No mesmo momento, o Amapá, aquele estado remoto do território brasileiro, completava 10 dias de apagão ininterrupto!

 

Ato reflexo tal paradoxo me vem a mente! Estou eu contrariado pela interrupção momentânea, parcial do meu estranho lazer masoquista de torcer para o Vitória e no Amapá??

 

Bem. Lá no Amapá, aquele estado ignorado, aparentemente confundido com alguma Guiana pelos mapas geográficos do resto do país, a falta de energia era permanente para necessidades básicas como alimentação, saúde, higiene, trabalho etc. Faltava luz para absolutamente tudo, o tempo todo.

 
 

Para atender ao meu desejo imediato e fugaz, geradores já estavam acionados no Barradão, enquanto lá no Amapá, apenas agora, após duas semanas às escuras, literalmente, estão sendo instalados geradores como solução paliativa, enquanto não se restaura em definitivo o sistema tradicional.

 

O mesmo governo federal, que ignorou por dias a fio, empurrou com a barriga, transferiu responsabilidades, assim como o governo local, estadual, a concessionária de energia etc e tal.

 

“Ninguém sabe, ninguém viu”, “A culpa é de quem??”

 

Mas quem pensa naquele território quase descolado do Brasil?? Quem lembra daquele remoto naco de terra ao extremo norte? São brasileiros que ali habitam??

 

Verdade seja dita: nem só o governo ignorou a realidade lá. A mídia ocupava todo seu tempo a cobertura das eleições yankees e emendada a isso ao que alguns chamam de “festa da democracia” brasileira. Ao Amapá notas de rodapé. Seria assim com uma crise semelhante em Santa Catarina, ou mesmo no primo pobre sudestino Espírito Santo?? Sabemos a resposta.

 

E nós também pouco nos solidarizamos com o Amapá. Eu mesmo, egoísta, demasiado humano antes de tudo queria assistir ao Vitória!

 

Precisamos pensar no Amapá

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