TED BUNDY, A HISTÓRIA DE UMA BESTA GLAMOURIZADA NO CINEMA – Leia Marcos Thomaz

“Ted Bundy – A Irresistível face do mal” esse é o título do filme que apresenta a história de um dos mais brutais assassinos em série da história! O título, assim mesmo glamourizado, dá bem o tom da obra, lançada em 2019, mas que só assisti agora.

E olha que eu confesso ter um sentimento paradoxal quanto às histórias de “serial killers”! Epa, calma aí. Senta que explico…

Ao mesmo tempo que os relatos dessa violência banal, fortuita me causam imensa repulsa, que a frieza inerente aos sociopatas me transtorna e assusta, tenho fascínio por buscar entender especificamente a mente desses “seres, quase monstros, ou monstros quase humanos”!

E sei que não estou sozinho nessa. Mais que a curiosidade pelo diferente, inabitual comum a todos, os assassinos em série recebem atenção especial da literatura, cinema etc. São objetos de estudo devotado da psicologia, psiquiatria e claro, contam com departamentos especiais e métodos investigativos minuciosos nas polícias de todo o mundo.

Eles existem e estão por aí, entre nós, mas não irão aparecer com “a boca pingando sangue”. Via de regra são dissimulados, simpáticos e exercem enorme poder de atração sobre os outros!

Eu respeito as licenças poéticas e liberdades que uma transposição cinematográfica possa ter, mesmo em adaptações de histórias reais, mas não creio em concessões para trajetórias dessa natureza!?!? Não dá para forçar…

Romantizar a imagem de um psicopata, confesso assassino de 30 mulheres, mas com suspeita do número real de vítimas ter passado da centena? Capaz de manter relações sexuais com os cadáveres das mulheres que matava brutalmente, muitas vezes decepando a cabeça com elas vivas?? Como contar a história de serial killers sem expor a total vileza do que são?? Como relatar o instinto desse tipo de ser humano sem exponenciar que não sentem qualquer remorso pela dor que impingem ao outro?? Não existe empatia em Ted Bundy, ou qualquer outro da sua “estirpe”, mas o filme “…A irresistível Face do Mal”, talvez apelando a formatos certeiros de sucesso nas telonas, tenta emular um ar de benevolência ao que representam os serial killers!!

Os “pecados” estão na romantização excessiva e distorcida do relacionamento de Ted e sua namorada Liz. A impressão é que o diretor Joe Berlinger usou a relação dos dois como história central do filme se baseando na atração que esse tipo de artifício exerce sobre o espectador.

Quase um romance a dois embalando a narrativa de um dos seres mais bestiais que já habitaram o universo. Talvez para dar suporte a essa glamourização o roteiro omite, ou mesmo negligencia, detalhes amplamente publicizados sobre o modus operandi brutal e práticas sinistras como necrofilia, incineração de cabeça de vítima em lareira etc.

A própria companheira dele é apresentada como alguém em dúvida sobre a real culpabilidade de Ted, quando na verdade ela fez a denúncia a polícia de forma convicta.

Pois bem, mas se há falhas imperdoáveis no roteiro, também há méritos no filme, como na reprodução de diálogos tornados clássicos e, à época, televisados nos EUA (o julgamento final- primeira transmissão do tipo no país- e, por exemplo, a leitura do indiciamento de Ted, ambos episódios em que ele transformou o espetáculo em circo midiático e ampliou sua popularidade. Menção honrosa também a dramatização, acentuada por boas atuações.

Uma delas é exatamente o primor na seleção do elenco e riqueza das atuações. O próprio Zac surpreende no papel principal do assassino em série, Ted Bundy. Além dele temos outro ícone teen, Lilly Colins, Jim Parsons (da série The Big Bang Theory), o genial John Malkovich interpretando o juiz que conduz o julgamento e profere a sentença de morte contra Ted, além de outra quase dezena de grandes atores…

Por fim tem ainda o pitoresco de reunir em um mesmo elenco James Hetfield, vocalista do Metallica (sim, o metaleiro está lá em rápidos momentos fazendo às vezes de um policial durão) e Zac Efron, do fenômeno pop, High Scholl Musical.

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