AS QUEIMADAS NO PAÍS COM NOME DE ÁRVORE – por Demétrius Faustino

Demétrius Faustino

Ei, pintassilgo

Oi, pintarroxo

Melro, uirapuru

(…)

Bico calado

Muito cuidado

Que o homem vem aí

O homem vem aí 

(Passaredo – Chico Buarque – Francis Hime)          

 

 

O Brasil é afamado pelo seu tamanho considerável de florestas e sistemas fluviais, e com essa riqueza em recursos naturais, há tempos é tratado por muitos como a nação do futuro.

Mas é inimaginável o tamanho da proliferação do desmatamento no nosso território, facilitando o aparecimento de doenças, e de outras problemáticas. Apesar dos órgãos de proteção ambiental atuarem arduamente na missão de salvar e resgatar os animais silvestres afetados e a mata, outros estão ignorando-os.

Sem esquecer que no país que taxa livros e isenta igrejas, faz vista grossa ao garimpo ilegal, a invasão de terras indígenas, e a grilagem. Isto é consequência de uma série de planos de ocupação levada a cabo na Amazônia, financiada por bancos estrangeiros, e que trouxe sérias dificuldades para os povos originários da floresta.

O clima é uma preocupação mundial, onde ambientalistas alertam sobre essa situação, e não é de hoje. No entanto, e na prática, estamos vendo apenas empresários e outros “ários” fazendo “lives” e murmurando apenas a preocupação com a sua economia. Ou melhor, olhando somente para o próprio umbigo.

Em outros tempos, por exemplo, o Pantanal além de sua rica fauna, era um espelho d’água, e hoje está pegando fogo, porquanto tornou-se um mundo de chamas que não se apagam. Para apagar essas chamas somente chuvas muito fortes e duradouras, de forma a inundar aquele imenso espaço, e mesmo assim ainda restará por muito tempo, nuvens de fumaça. São marcas de destruição na floresta, no solo, na água, no ar e notadamente lesões gravíssimas nos animais pantaneiros, acarretando em perda de biodiversidade e habitat de muitas espécies.

E não é só no Pantanal que o desmatamento no país com nome de árvore está ocorrendo: é na Mantiqueira; no Pará onde o desmatamento está predominantemente ligado à grilagem e à especulação com terras públicas, quase sempre associadas à pecuária; em áreas do Amazonas, onde o desmatamento em florestas protegidas aumentou 40% em um ano, e na própria Mata Atlântica por mineradoras.

A pergunta que não cala:

Pra que usar a imagem das araras azuis como inspiração para campanhas de preservação, se elas não se salvam das labaredas em Mato Grosso?  Estão desafiando um trabalho que vem sendo realizado há mais de 20 anos à favor da conservação dessas araras-azuis;  O lobo-guará que sofre com o avanço do desmatamento no Cerrado, logo vai ficar só na ilustração da cédula de R$ 200; imaginem outros que não voam, pois são incontáveis espécies que habitam este dadivoso santuário, mas que hoje são vidas sem qualquer valor diante da destruição.

Até o Rio São Francisco sofre com as chamas na Serra da Canastra.

Segundo especialistas, além disso, tem outro aspecto, que é o carbono: as plantas e o solo amontoam carbono, o material morto é carbono acumulado, e quando chega no espaço, é recepcionado pelo efeito estufa.

Cadê a flor que estava aqui?

João Pessoa, setembro de 2020.

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