O “GABINETE DO ÓDIO” DE BOLSONARO E OS “CAMISAS NEGRAS” DE MUSSOLINI – por Marcos Thomaz

Não é segredo para ninguém os artifícios e estratégias de guerra híbrida utilizadas por Bolsonaro desde antes da sua ascensão ao poder.

Desinformação, guerra política, ciberguerra e todo o tipo de recursos válidos, ou não, compõem o plano tático do bolsonarismo. E deu certo!

Aliás, continua dando certo. Nem podemos mais ficar perplexos com isso!! E o maior mérito de Bolsonaro, mais que estas estratégias torpes é simples, bem simples: apostar no nível de absurdo do brasileiro mais do que qualquer um o faria…

Bolsonaro e seu séquito desafiaram o bom senso e investiram pesado na irracionalidade do senso comum nacional como ninguém jamais havia imaginado!

Ele desvelou o quão pouco analíticos, imediatistas e, mais que isso, vulneráveis a qualquer “falso profeta”, mito, que seja, está nosso povo! Mais que suscetíveis, somos dependentes desse modelo de falsa moral, bravatas e vazio programático…

O último episódio do presidente foi pessoalmente se engajar pedindo ao Supremo Tribunal Federal para liberar perfis de investigados no inquérito das fake news!

Além da patética quebra de liturgia do cargo em algo tão externo, insignificante à presidência da República, por que Bolsonaro, que sempre se revoltou com a denúncia de existência do tal “gabinete do ódio” (mesmo abrigando vários militantes digitais como assessores do seu governo), estaria se importando com isso?? Logo ele que nunca admitiu uma rede articulada digital, se solidarizando com acusados deste modelo!?!

Qual o interesse dele em reativar estas contas, reconhecidamente de produção de notícias falsas e ataques a opositores??

Nem quero saber qual será a desculpa dos seguidores bolsonaristas para legitimar mais este contrassenso presidencial!? Mas o frágil argumento virá sincronizado, robotizado, mas chegará, podem esperar…

A questão é que esse ato de Bolsonaro, como várias outras linhas de ação, remetem a algumas estratégias do fascismo de Benito Mussolini

Aliás, vale derivar para frisar que eu tenho convicção que as grandes referências do senhor Jair são os maiores líderes autoritários da humanidade. Nunca vi tamanha semelhança e inspiração!

Acha exagero? Para não ficar preso a exemplos de atos como o último, vou a literalidade. Basta resgatar a fala do presidente brasileiro durante a pandemia, quando falou para todos, “até para inglês ver”: “A Constituição sou eu”. Inevitável a associação desta frase com a do monarca francês do século XVII, Luís 14, que disse: “O estado sou eu”. Procurem saber…

Focando em Mussolini… ele sempre negava ter influência sobre a “turba de camisas negras” perseguindo e atacando covardemente opositores por toda a Itália, já sob domínio facista!

Os ataques eram tidos como ações, impulsos incontroláveis, muito embora o discurso do líder sempre incitasse isso.

Ao mesmo tempo, Benito utilizava da máquina do estado italiano para interferir, livrar correligionários da prisão, condenação por estes ataques, que diretamente estimulava e financiava…

Assim como o adepto brasileiro, Mussolini, com seu discurso radical de grandeza patriótica, combate a corrupção também “cativou”, hipnotizou boa parte dos italianos. Mas isso há um século…

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