NEM DE LIVE I LIKE, BUT, MAS, CONTUDO, ENTRETANTO… – Leia o novo texto do jornalista Marcos Thomaz

Meninos e meninas, eu vi…

Vi e posso dizer categoricamente que as duas melhores lives de todos os tempos, dos últimos dias, foram Gilberto Gil e Milton Nascimento!

As duas melhores lives dentre as duas únicas que assisti integralmente. Tenho autoridade e propriedade na escolha!

Se for expandir os critérios de análises a “meros mortais” o único que vou abrir brecha na beira do panteão aí é Edson Gomes, mesmo com aquele seu reggae quase envergonhado de tão gospel que o homem anda!

Se estender a exceção “The Best of Lives” para bichos, a menção honrosa é para o cavalo arredio. O bichano tal qual a “Revolução dos Bichos”, cansou da inoperância humana e, subversivo, acabou com a apresentação de um sertanejo. Como um “artista marginal” o cavalo descumpriu roteiro, nos poupou daquela música horrenda e ainda levou o sertanejo para longe! Serviço completo. Dizem que até agora o cidadão está desnorteado, procurando rumo de casa! Um verdadeiro herói de 4 patas!

Sem delongas vou explicar porque as lives de Gil e Milton são as melhores. Primeiro estamos falando de dois dos “Titãs” da história da música brasileira, responsáveis por algumas das mais belas composições e momentos das nossas paragens!

Beirando os 80 anos Gilberto Gil e Milton Nascimento dispensam apresentações. Poderia lançar mão apenas da longevidade, serviços prestados e devoção para legitimar a escolha pela apresentação de ambos, mas vou discorrer brevemente.

Com o habitual zelo e respeito que possuem pela arte, tanto Gil quanto Milton se esmeraram em construir arranjos específicos, em efetivamente pensar uma produção para essa transmissão virtual. O que mais me enfada nestas “lives” é a crença acomodada de artistas diversos em supor que basta conectar o telefone na sua internet 20 mega (alô Rapid Net), executar a música no violão, jogar dois dedos de conversa fora com os amigos e pronto!

Vejam bem, tenho total conhecimento e sensibilidade pela difícil realidade da imensa maioria dos artistas em viabilizar recursos para esta empreitada, incluindo a reunião de colegas músicos, sem testes rápidos, cachês, espaço adequado, patrocínios etc. Mas a crítica é para outros mais abastados mesmo, que insistem neste formato insosso e nada inspirado. Aos demais, ainda com limitações, vamos tentar ser criativos, pensar em alternativas, arranjos e estrutura mais encorpada (sei lá até caixinha de fósforo para incrementar o som). A proposta/idéia é nova, abrupta e temos muito a evoluir, mas começar a buscar as mudanças é o primeiro passo.

Para ilustrar melhor a iniciativa de ambos, vamos aos fatos:

Apesar do baiano ter apostado em uma mescla pequena do vasto catálogo próprio com a priorização de clássicos regionais, mais especificamente das festas juninas, ele foi cirúrgico nas escolhas. Passeou de Luiz Gonzaga, Jackson, Dominguinhos e fez questão de citar nominalmente grandes nomes nordestinos (só da Paraíba foram seis homenageados: Jackson (este no altar da santa trindade ao lado de Gonzagão e Dominguinhos), Sivuca Zé Ramalho, Marinês, Genival Lacerda e Antonio Barros, o maior hitmaker de forró, xaxado, xote e baião da via láctea!

Milton focou exclusivamente na própria discografia. Aquelas canções de melodia mágica que emanam das serras das Geraes e ecoam por todos os nossos poros. O “quinto beatle” brasileiro, figura mais emblemática do Clube da Esquina, não precisa de mais do que o próprio cancioneiro, mesmo.

Mais debillitado que o contemporâneo, Bituca também apostou em formato intimista (apenas teclado, violão-guitarra e sanfona-acordeão em algumas passagens). Já Gil, apesar do formato de arranjo regional, tinha um grande time a seu dispor.

Esses senhores sempre tem muito a nos ensinar… Como diz Gil e seus enigmas: “procure saber”!

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