A CAIXA DE RESSONÂNCIA DA IGNORÂNCIA – escreve Marcos Thomaz

O ser humano adora dar pitaco, meter o bedelho em tudo! Dar opinião categórica sobre o que não entende bulhufas, então?!? Parece ser um prazer mórbido natural da nossa essência!

É assim desde que o mundo é mundo e a Terra este planeta redondo (eu disse REDONDO!).

A questão é que, atualmente, o achismo, este conceito vazio, inclinado a predileções, baseado nas teses mais estapafúrdias, conceitos desconexos, ou mesmo ausência total de qualquer fundamentação, ganhou caráter institucional no Brasil!

O negacionismo do conhecimento subiu até a rampa do Planalto e se instalou na Esplanada!!

Tempos bons aqueles em que todo brasileiro se arvorava apenas um técnico da seleção! “Meter a colher” na convocação do Felipão poderia evitar o fatídico 7×1, por exemplo.

De futebol, talvez entendamos mais, mesmo…

Com status de movimento organizado a ignorância se propagou mais que o Coronavírus! Vale estampa em faixa/cartaz, registro em vídeo, a indefectível fake news nas redes sociais, claro, e toda sorte de estardalhaço para deixar a vergonha alheia para a posteridade!

É a oficialização do “você pensa que é bonito ser feio?!?!”

O brasileiro médio não está pautado por convicções refletidas, mas criando ou seguindo soluções simplistas, radicais e, via de regra, violentas como solução para todos os males.

As famigeradas manifestações por “Intervenção Militar” (inacreditáveis protestos pelo direito de não protestar) são reflexos desta miopia nacional! Surreal!

Nestas horas o “manifesto de araque” vira o álibi perfeito para carnavalizar! Vale mesmo é o oba oba, corpo a corpo, a catarse coletiva de “vomitar” ódio contra outros…

Suposta conscientização por impulso coletivo, indignação por ocasião! Traduzindo: “todo mundo está indo, eu também vou!”. Daí o termo manada, rebanho ser usado como exemplo para atos em grupo do tipo! Simples associação direta!

A mesma lógica se aplica ao terraplanismo, a cloroquina como milagre de cura para o Coronavírus e por aí vai…

A diversão, folclore, debates triviais das feiras livres ganha selo científico no Brasil de hoje!

E olha que sou vidrado em mercadão público, algazarra do povão, clima e fuzuê desses ambientes, mas “uma coisa é uma coisa, outra coisa…”

O “eu acho”, “porque quero”, “assim acredito” se sobrepõe aqui, na terra do Pau Brasil, ao conhecimento instituído!

Querem conduzir convicções e saber científico como preenchem um formulário de pesquisa de opinião pública, onde o seu querer/gostar basta, sem qualquer necessidade de respaldo além!

Não há solução mágica, nem causa única para explicar este mergulho nas trevas brasileiro, mas é inescapável pensar em alguns vetores básicos, diretos…

Uma educação mais reflexiva, menos automatizada (a Educação Bancária tão denunciada por Paulo Freire) nos legaria uma sociedade que não ostentaria o vergonhoso índice de uma das populações que menos lê no mundo!

E tudo isso, por conseqüência, nos faria um povo mais reflexivo e menos suscetível a esta esquizofrenia cultural-comportamental dos tempos modernos!!

Talvez…

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