FELIZ PARAIBAIANIDADE – leia o novo artigo de Marcos Thomaz

Por Marcos Thomaz

Sou daqueles que consideram os dias, meses, anos, tal qual convencionamos tratar nas folhinhas de calendário, mera formalidade…

Para mim, além dos afazeres profissionais e pequenos simbolismos de algumas seletas datas, a marcação temporal pouco importa.

Fim de ano, reveillón, o tal 31 de dezembro pode até valer para renovar desejos, projetos e emanar as boas vibrações aos queridos (e quanto a isso, nem vale forçar a barra, “Good vibrations” só vale para quem as tem, beleza??)… E “apenas” isso, realmente representa muito! Soma demais, mas vejo tudo muito mais como uma introjeção nossa, do que algo realmente relevante/determinante no “correr do tempo”!

Enfim, divagações e coerência a parte, fato é que o calendário cristão-ocidental me indica que neste 2019 tenebroso brasileiro um dos poucos bons motivos que tive a celebrar foi ter completado exatos 20 anos que fui morar na Paraíba!

Duas décadas radicado em solo, ligado umbilicalmente e de coração transbordando gratidão por esta terra que me acolheu, dividiu conhecimento, me deu labor, trouxe meus filhos ao mundo, me deu companheira, família e muita, muita boa amizade…

Nasci em solo baiano, carrego minhas origens e cultura bem arraigadas. Amo minha culinária, o sotaque, meu Vitória, o Jorge Amado, o Caetano, Gil, Betânia enfim essa baianidade toda e mais!

Mas sinto-me integralmente Paraibaiano! Até há como separar, mas nunca eliminar os elementos que marcam estes dois territórios dentro de mim. Aliás, por tempo decorrido em vida, já tenho mais anos de Paraíba que Bahia (20 a 18 no meu “ranking de vivência”)!!

E isso muito me orgulha! Mais que isso, espanta. Assusta a maneira como essa identificação se traduz nos mais simples e naturais momentos, reações…

É sobre pertencimento que falo. A sensação arrebatadora de se sentir ligado ancestral (mesmo sem laços sanguíneos aparentes) e transcendentalmente a determinado lugar/espaço!

É assim, que vivo intensamente essa minha relação com a Parahyba/João Pessoa! A capital que me abriu uma Paraíba inteira aos olhos. Dali onde fui fisgado e fixado a República Independente dos Bancários (o nosso oásis de resistência)! Pela qual me espalho nas praias e me embalo no Centro Histórico! De onde parti para desbravar mais de uma centena de municípios (do litoral ao sertão, quase metade de toda a Paraíba) desse estado tão remoto a mim em tempos passados

Não sei falar sobre sensação alheia, mas das minhas cuido com esmero e revelo sem pudor… 

Mesmo nunca se fazendo necessário essa constatação, como uma espécie de epifania, seguidas vezes, pude comprovar, cristalizar o vínculo que me une, além raízes/além divisas a boa Paraíba…

Sabe o pertencimento, que citava??

Então, é ele que se manifesta efusivamente, em orgulho desmedido quando vejo qualquer menção “as coisas da Parahyba”! Seja na recepção em evento profissional em Fortaleza embalado pela “Feira de Mangaio”, de Sivuca, a simples audição da “Sebastiana” de Jackson do Pandeiro em uma casa qualquer do litoral baiano, ou qualquer brilho dos paraibanos mundo afora e “adentro” também, afinal precisamos olhar mais pra nós, por nós mesmo, independente deste referendo externo (mas isso é outra história).

É este mesmo pertencimento, vínculo inquebrantável que liga o sinal de alerta quando estando na minha terra mãe, Bahia, me planejo entusiasmado a voltar para casa. E este lar, aconchego há tempos é a Paraíba, o caminho inverso a origem, mas trilhado no destino natural da vida…

                       “pequenina como se eu fosse o saudoso poeta e fosses a Paraíba…”

 

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