O VAR QUER SER “STAR” (As lambanças do protagonista do futebol brasileiro) – novo texto de Marcos Thomaz

A temporada do futebol brasileiro está chegando ao fim… e apesar de destaques nacionais como o futebol do estelar Flamengo e, por tabela,  a catarse em torno da “chegada de um Jesus” (sem trocadilhos), o maior fenômeno nacional vem de fora das 4 linhas: o VAR.

Esta sigla estranha, abreviação em inglês para árbitro de vídeo “roubou a cena” nos campos do Brasil. Ele tudo determina, avaliza, ou anula, sem dó, nem critério… Exatamente neste protagonismo de um recurso que deveria ser apenas auxiliar é que reside o grande problema da utilização do sistema eletrônico na arbitragem brasileira. A determinação explícita da FIFA, entidade máxima que rege o futebol mundial, é para que o VAR seja um acessório auxiliar para uso apenas em casos específicos (lances de gol, cartão etc). Mas o jeitinho brasileiro, sempre ele, logo deu uma “cara tupiniquim” ao equipamento!

Aqui no Brasilzão, virou objeto de desejo geral: torcida comemora como gol uma simples chamada para revisão de lance, jogador, treinador faz mímica, chora e implora pelo VAR e, claro, a arbitragem se embaralha, comete absurdos jogo sim, jogo também!

Lance de consulta ao VAR no Brasil abaixo de 5 minutos de interrupção do jogo é lucro. Cada ida do árbitro a cabine é uma eternidade. Mesmo que para lances claros, óbvios a qualquer torcedor comum. O juiz parece incorporar o papel de diretor de cinema. É a utilização extrema de todo o aparato tecnológico ao dispor. Adianta, recua, para, joga para a “câmera 33”, estica e puxa…

Aliás, a própria quantidade de “convocações” ao árbitro principal aqui é mais que exagerada. Até em jogadas em que o juiz estava em cima e apitou, ou deixou o jogo rolar com convicção, o “sistema” insiste em interromper, em criar uma outra possibilidade etc. Assim se desconstrói em absoluto o objetivo do VAR, que pela recomendação expressa da FIFA, não deve ser acionado para lance interpretativo, que suscite visões diferentes. Aqui se ignora em absoluto a determinação e se pratica exatamente o oposto. O árbitro de vídeo quer todos os holofotes, intervém a todo o instante, duvida e questiona de toda marcação do árbitro principal etc.

Mais perturbador que esse joga e para constante são os inúmeros casos de utilização massiva, intensa do VAR com decisões absurdas da arbitragem. Citarei como exemplo apenas dois deles, envolvendo o líder (virtual campeão) e vice do Brasileirão: o primeiro ocorreu no FlaxFlu, quando Gabriel foi derrubado por um carrinho por trás do zagueiro Nino do Fluminense, que acintosamente atinge o adversário sem sequer toca na bola. O clamoroso pênalti, já ignorado pelo árbitro Anderson Daronco em tempo real, foi descartado mesmo ele tendo se submetido a longos minutos de análise?!?! No jogo Avaí x Palmeiras, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro, o disparate foi ainda maior… O árbitro Wilson Pereira, também consultando o oráculo, digo VAR, assinalou pênalti no maior mergulho em águas rasas da história do futebol mundial. O atacante Deyverson, simulando ter sido tocado pelo adversário, deu um daqueles saltos ornamentais digno de medalha, após um chute do zagueiro adversário em uma poça de água!

É fato que a utilização do sistema de árbitro de vídeo é novidade no futebol. Temos pouco mais de um ano de oficialização do recurso pela FIFA. E como experiência inicial, no mundo todo se registra polêmica e utilização equivocada do VAR. Na Inglaterra, por exemplo, se registrou um clamoroso erro justamente no maior clássico do país: Manchester United X Arsenal, que terminou empatado por um a um. O gol dos Red Devils foi validado, mesmo tendo ocorrido uma falta no início da jogada (feito passível de utilização do sistema como determina o protocolo).

A questão é que no Brasil, onde assim como na Inglaterra, a primeira experiência em competição integral está ocorrendo agora em 2019, os problemas e falhas ocorrem toda rodada, aos montes e com trapalhadas grotescas de toda ordem. A versão brazuca do VAR não aceita a condição de ser mero auxiliar, quer ser protagonista, aparecer mais que o jogo em si. Assim não dá…

 

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