O RÁDIO DE BOECHAT – leia o novo artigo de Demétrius Faustino

No calendário brasileiro, o dia oficial para prestar homenagens às pessoas falecidas é o dia 2 de novembro. Nessa dimensão, como as homenagens prestadas pela mídia foram curtas e passageiras ao grande Jornalista, Radialista, Comunicador Ricardo Eugênio Boechat, preferimos ao invés de levar flores ao seu túmulo, até porque não temos intimidade para tal, pronunciar algumas palavras, para mentalizar a imagem de um grande brasileiro cuja morte ocorreu antes do tempo certo, e em nome de quem reverenciamos tantos outros cidadãos. E não se trata de uma homenagem intempestiva,  pois uma das maiores virtudes das liberdades democráticas consiste em se dizer ou ouvir “qualquer coisa” e em qualquer tempo.

Merecedor de mais homenagens  e até mesmo antes do “quando eu me chamar saudade, quero preces e nada mais” (Leia-se Nelson Cavaquinho), vamos tentar reescrever alguns fatos sobre a carreira desse grande brasileiro repetimos, que em mais uma das peças que a vida nos prega, nos deixou prematuramente em 11 de fevereiro de 2019, no auge de sua carreira.

O tema nos remete ao rádio, um veículo que nunca vai desaparecer, apesar das dezenas de tecnologias e mídias que surgiram e foram sendo substituídas por outras mais atuais, pois este nunca desapareceu desde a sua invenção. E Boechat, podemos dizer, foi um daqueles que fez renascer o gosto por esse veículo, para quem ainda não sabia desse fato.

Certa vez num texto via WhatsApp, o qual translado in verbis, lembrando apenas que se trata de uma crônica fictícia, estava escrito a seguinte mensagem:

Boa noite, telespectadores da TV Céu Brasil! Aqui é o âncora Ricardo Boechat.

Quanta bondade de Deus, ao permitir o embarque do Boechat em um helicóptero para fazer parte de uma emissora angelical. E o texto ainda demonstra um pouco da locução do então radialista quando da abertura do programa:

A política aqui é noticiar esperança e consolo, como também reencontrar velhos amigos como o Luciano do Valle que no próximo domingo vai transmitir um jogo sensacional; Os garotos do Flamengo que chegaram a pouco aqui enfrentarão os jogadores inesquecíveis que vieram já há um tempinho: aqueles craques campeões sul americanos da Chapecoense.

E continua o então radialista:

Nas cadeiras numeradas do Estádio Denner estarão os mineiros de Brumadinho e os que foram pegos de surpresa nas chuvas torrenciais da terra do Cristo Redentor. Imaginaram se Ele ia fechar os braços para vocês? Telespectadores do Céu Brasil, esse pessoal foi bem acolhido aqui. Em suas cabeças agora nem uma sujeirinha de lama: só chuvas de bençãos e amor.

E depois do futebol terá um show de música e muita luz. Já confirmaram presença Belchior, Luiz Melodia, Emílio Santiago, Cristiano Araújo, Elis Regina e muitos outros.

E finaliza: Pois é, queridos telespectadores, termino a edição de hoje dizendo que vim. Cheguei em um vilarejo. Aqui é Shangri-lá. Cabe muita gente. Tanta, que até impressiono em cada passo nesse novo lugar. Pois é, andei até o helicóptero e voei. Como diz a letra, cheguei aqui para acalmar meu coração. Acalme o seu! O Canal da esperança e consolo, a TV Céu Brasil, não te deixa esquecer jamais que Jesus está no comando.

Não existe no mundo, uma casa sequer, um automóvel, sem um rádio, seja lá de que formato tecnológico esteja presente, inserido nos celulares atuais, televisores, “smart”, enfim, sempre há uma forma de ouvir uma rádio, e hoje podemos ouvir rádios de qualquer parte do mundo com um simples ‘click’ na Internet, no site rádio. Garden.

Como comentarista ficou evidente que sua influência era tão forte a ponto de poder causar reações imprevisíveis nos ouvintes. Com uma mistura de jornalismo fino e apurado, crítico e imparcial e com uma boa dose de sátira e humor afiado, Boechat conquistou as mais diversas camadas da sociedade, fazendo renascer o gosto pela comunicação desde as gerações mais antigas até as novas gerações, inclusive de crianças cujos Pais e Mães o ouviam diariamente. Sem esquecer que o Legado profissional de Ricardo Boechat reúne os principais prêmios da comunicação.

Enfim, em quase 50 anos de jornalismo, RB começou a carreira no Diário de Notícias, esteve no jornal O Globo, trabalhou no Jornal do Brasil e na sucursal carioca do Estado de São Paulo. Desde 2006, além de diretor de jornalismo do grupo Bandeirantes, Boechat era âncora do Jornal da Band e apresentava o programa de rádio Band News FM, além de ter uma coluna junto com Ronaldo Herdy na revista Isto É. Em todos os seus anos de trabalho foi um dos jornalistas mais renomados do meio, e recordista de prêmios, ao ganhar três prêmios “Esso” e nove “Comunique-se”, além de ser eleito o jornalista “Mais Admirado” na pesquisa Jornalistas & Cia em 2014, um dos principais rankings da profissão no país.

Como era a favor do pluralismo, estendeu-se para a literatura, onde escreveu o livro “Copacabana Palace – Um Hotel e sua História”, que conta a história do hotel que dá nome ao título.

Salve a comunicação, salve o rádio, salve Boechat, salve os grandes brasileiros que estão no oriente eterno.

João Pessoa, outubro de 2019.

 

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