FUTEBOL ARTE DE VOLTA – Demétrius Faustino faz análise do atual momento do Flamengo

Os jogos do Campeonato Brasileiro 2019, principalmente aqueles que o Flamengo atuou, vem tendo proporções épicas. Tanto pelas partidas em si, como pelo que está em causa. Mas o fator que mais chama a atenção, é a volta do futebol arte que há tempos está sendo posto num ostracismo melancólico, pois as táticas de eficácia e força se tornaram cada vez mais prevalentes. Nada contra a força, mas somos favorável a arte, pois ela baila, finta, e tabela. A eficácia/força por sua vez, retira inclusive os fundamentos do futebol, e a verdade do jogo é apenas a vitória, inclusive de barriga e de mão, desde que o árbitro passe despercebido. O futebol força parece mais um cavalo descontrolado, com muita movimentação, alterações de lados, chutes de longa distância, bolas alçadas na área mas, no final, percebe-se que é só correria. Enfim, a paixão pelas quatro linhas, através do futebol arte, que é aquela jogada construída de pé em pé ou através do drible, e que até então estava arrastado para o museu, está de volta no momento atual. Basta dizer que até os europeus passaram a treinar mais a habilidade com a bola, inspirados que são pelo nosso futebol.

O próprio Zico, o maior goleador e ídolo do Flamengo, e que entrou para a história com seu toque requintado, comunga com esse entendimento, ao lado dos técnicos Vanderlei Luxemburgo e Dorival Júnior, conforme entrevistas concedidas.

Ora, quem viu Garrincha dando aquele famoso drible em que, depois que deixa o adversário quase sentado, volta e aplica mais outro desconcertante; Pelé, na Copa de 70 dispensa comentários, onde havia ainda Gérson com lançamentos precisos para Jairzinho; Zico com seus dribles curtos e rápidos; Rivelino com o elástico; Sócrates jogando com o calcanhar; Romário no lugar exato para fazer o gol, sabe do que estamos falando (escrevendo).

Para recordar um pouco mais do nosso futebol arte, o Flamengo de 81 e a seleção brasileira de 82 foram decisivos para que a nossa geração emprenhasse por esse estilo, sem esquecer de outros exemplos como o Santos com seus “meninos da vila”; o São Paulo de Telê Santana, o Corinthians do final da década de 90; o Palmeiras da Parmalat, daquele paulista de 96 e o do Felipão; o Vasco de 97, o Fluminense de Washington e Assis; o Cruzeiro de 2003, e por ai vai.

Até que veio a fase negra, como mencionado, e que tornou o futebol do vigor mais natural, mas novamente, depois de um ostracismo sombrio, o nosso futebol arte está de volta, e seu maior protagonista na atualidade é o Flamengo, que encontra-se numa escalada rumo ao topo da América do Sul.

João Pessoa, Outubro de 2019.

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