Interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal mostram que ex-cunhada de Romero sabia das fraudes na merenda

Intercepções telefônicas realizadas pela Polícia Federal na ‘Operação Famintos’ demonstraram que a ex-cunhada do prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, Iolanda Barbosa da Silva, assim como os demais servidores investigados e que participam do processo de contratação da merenda escolar, tinham conhecimento direto do efetivo gestor das empresas contratadas (FREDERICO DE BRITO LIRA), bem como de que o mesmo se vale de terceiros ou de meios fraudulentos para compor o quadro social das mesmas, evidenciando não apenas sua conivência, mas sua efetiva participação na organização criminosa.

Dentre os registros colhidos durante as interceptações, há evidências de ‘conluio’ para frustrar o caráter competitivo das licitações, falsificação de processos administrativos e corrupção ativa e passiva, segundo as investigações.

As interceptações telefônicas registradas nos autos também confirmam ligação entre estes servidores e o núcleo empresarial da ORCRIM – Organização Criminosa, evidenciando que Helder Giuseppe Casulo, Gabriella Coutinho Gomes, José Lucildo Silva e Paulo Roberto Diniz de Oliveira mantiveram contato com Frederico de Brito Lira, além de Flávio de Souza Maia, para tratar dos ajustes ilícitos envolvendo as empresas administradas pelo empresário.

As interceptações telefônicas também evidenciaram a participação direta de Iolanda Barbosa da Silva e Paulo Roberto Diniz (ambos, secretários municipais na gestão Romero Rodrigues, afastados por determinação da Justiça) nas fraudes e contratos vinculados à Secretaria de Educação, notadamente no que se refere aos contratos firmados com Frederico de Brito Lira.

‘EMPESA DE FACHADA’

Um dos mandados de prisão autorizados pelo juiz Vinícius Costa Vidor, titular da 4ª Vara da Justiça Federal em Campina Grande, foi contra o empresário Frederico de Brito Lira, um dos proprietários do Rancho São Lucas, em Campina Grande, que tem cavalos avaliados em mais de R$ 15 milhões. Contra ele remonta a acusação de que teria, ao lado de Iolanda Barbosa, ex-secretária de Educação de Campina Grande e ex-cunhada do prefeito Romero Rodrigues (PSD), criado a empresa de fachada ROSILDO DE LIMA SILVA – EPP, recebedora de R$ 5,9 milhões de reais da PMCG.

A Polícia Federal conseguiu apuar que esta empresa não tem registros de movimentação financeira em suas contas e que teria como reais administradores Frederico e Flávio Souza Maia, figuras centrais da organização criminosa.

SONEGAÇÃO FISCAL E LAVAGEM DE DINHEIRO

Ainda de acordo com a denúncia, a empresa ROSILDO DE LIMA SILVA – EPP teria como reais administradores Frederico de Brito Lira e Flávio Souza Maia, figuras centrais da ORCRIM. A apuração da PF identificou que, entre 2016 e 2017, esta empresa obteve receita bruta de vendas superior aos R$ 5,9 milhões, mas não houve movimentação financeira registrada em suas contas, a indicar que os valores recebidos pela empresa teriam circulado em espécie ou em contas bancárias de terceiros, apontando para possível sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

A PF apurou que ROSILDO DE LIMA FILHO é uma pessoa de baixa renda e baixo grau de instrução, e que, claramente, é utilizado para mascarar a ação criminosa. No que se refere à empresa FREDERICO DE BRITO LIRA – ME, há inconsistências entre os lançamentos a crédito em suas contas bancárias e a receita bruta declarada nos anos de 2016 e 2018, indicando que boa parte dos valores creditados têm origem ilícita.

NÚCLEO DA ORCRIM

O núcleo empresarial da ORCRIM, segundo a denúncia, era composto por FREDERICO DE BRITO LIRA, responsável pela administração de fato das empresas DELMIRA FELICIANO GOMES – ME, ROSILDO DE LIMA SILVA – EPP e a recente RENATO FAUSTINO DA SILVA (CRYSTALL COMERCIAL), com o auxílio direto de FLÁVIO SOUZA MAIA (funcionário de FREDERICO que atuava como representante das empresas de fachada em procedimentos licitatórios) e de LUIZ CARLOS FERREIRA BRITO LIRA, que também faria uso das empresas de fachada de seu pai, FREDERICO

A ‘Operação Famintos’ visa investigar supostas irregularidades em licitações para a contratação de empresas de fachada, visando o fornecimento de merenda escolar PARA ESCOLAS E CRECHES DA Prefeitura de Campina Grande, durante a administração do prefeito Romero Rodrigues. As contratações incluíam também o fornecimento de material de higiene e de limpeza para outras áreas de governo (Saúde, Assistência Social, etc.)

Os órgãos investigadores constataram que, desde 2013, primeiro ano da gestão Romero Rodrigues na Prefeitura de Campina Grande, ocorreram contratos sucessivos, que atingiram um montante pago de R$ 25 milhões.

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