Da série Revoluções (A Revolução de 1932) – por Demétrius Faustino

E antes que a memória do Brasil sofra mais AVC´s, chegou a hora de conhecer outras histórias, a exemplo dasMahins, Marielles, malês.

Sem avocar qualquer tipo de posicionamento ideológico, mas apenas com neutralidade e honestidade na alma, entendemos que a história da Revolução de 1932, diga-se de passagem, nascida no seio da burguesia, mas que recebeu imediatamente o apoio de toda a população do Estado de São Paulo, não está contada nos anais oficiais de forma coerente. E vamos além: a maior parte dos brasileiros não tem conhecimento do que foi esse movimento, e nem as razões que conduziram o Estado de São Paulo a se levantar em armas, numa luta desproporcional com o restante do Brasil.

Lembrando que essa incoerência com relação a 1932 não é exceção à regra, pois o nosso país tem o hábito cultural de apagar da sua história os movimentos e personagens que dignificam a nação, dão engrenagem para a sociedade e servem de exemplo para as novas gerações. É preciso reclamar e exigir mudanças para que a verdade real dos acontecimentos não sejaobscurecida, alterada, e fazer valer a máxima do samba da Estação Primeira: “Eu quero um país que não está no retrato”.

Na verdade, esse movimento mal começou, e foi logo sendo deturpado e chamado de separatista pela ditadura, com o objetivo de desacreditar São Paulo diante dos demais Estados. Basta dizer que três meses após a marcha inicial dos paulistas em direção ao Rio de Janeiro para tentar derrubar a ditadura de Getúlio Vargas, o Governo Federal iniciou um ocultamento dos fatos e da história, a exemplo da principal causa que era a de implantar os valores democráticos, prometidos e rapidamente arruinados pela Revolução de 1930, e que traiu os ideais de boa parte de seus idealizadores e empossou Getúlio Vargas como ditador.

Mas há um lado positivo, que é o fato de, enquanto o país seguia na seara do atraso social, pois ainda se achando equivocadamente dono do povo marcado e que já não estava mais marcado, São Paulo caminhava pela luz da modernidade, e com os amplos recursos do café implementava e investia em novos negócios, através de tecnologias trazidas pelos imigrantes, dando forma a seu parque industrial, a princípio através da indústria têxtil, e, depois, se expandindo de forma meteórica para outras áreas.

Por consequência desse avanço tecnológico, a terra da garoa melhora a qualidade do ensino, as escolas se aprimoram, novos cursos são abertos, a saúde se depara com a chegada da Santa Casa, a infraestrutura toma rumo com o Porto de Santos etc. Enfim, a cidade entra efetivamente na corrida desenfreada para se transformar numa das cidades que mais crescem no mundo.

Como antes afirmado, a Revolução de 9 de julho de 1932 nasceu no seio da burguesia, mas recebeu o apoio de toda a população do Estado de São Paulo. Tanto é verdade, que esta ao se sentir realmente desdenhada acelera os protestos, até a situação atingir um patamar intolerável, que desagua em luta armada, mas que infelizmente, apesar da competência, capacidade de ação e de superação, no mês de outubro daquele ano São Paulo é derrotado, onde parte importante de suas lideranças foi exilada, e o Estado foi militarmente ocupado.

Os ideais dessa Revolução de 1932 desde então, cada vez mais imprime sua marca na vida nacional.

E antes que a memória do Brasil sofra mais AVC´s, chegou a hora de conhecer outras histórias, a exemplo dasMahins, Marielles, malês.

João Pessoa, junho de 2019.

você pode gostar também Mais do autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.