LIBERDADE OU CLASSISMO DA IMPRENSA??- A hipocrisia escancarada após o episódio entre deputada e repórter paraibano

O serviço voluntário, petulante e presunçoso de OMBUDSMAN da imprensa paraibana volta com estardalhaço para tocar em uma ferida aberta, que ainda jorrará sangue (apenas para me alinhar aos programas sensacionalistas) por longo período nesta província…

Sei que o que rabiscarei a seguir vai desagradar muita gente, mas não vim jogar confetes…

“A verdade que salva e liberta” é que não sou simpático a corporativismo!! Essa coisa de fazer defesa irrestrita de categoria profissional apenas por sentimento e preservação classista sempre me soou pouco honesto, para não dizer canalha, de fato! Pois bem, na semana que passou, a Paraíba foi sacudida (continuando a seguir os termos espetaculares que nossa mídia adora) pelo episódio envolvendo uma reação da deputada Estela Bezerra (que, como qualquer pessoa, seja autoridade pública ou não, tem direito a decidir se concede entrevista ou não, salvo em se tratando de coletiva, ou com agendamento prévio) durante abordagem do radialista Tiago Moraes (a quem defendo irrestritamente o direito de exercer a profissão, independente de discordar frontalmente de boa parte do seu modus operandi e linha jornalística).

Sem entrar no mérito da contenda entre parlamentar e repórter, que já foi largamente debatida da capital paraibana até a divisa com o Ceará, o que me causou espanto foi o desdobramento dos fatos com foco na abordagem e postura da própria imprensa paraibana.

  • Uma ilustração da conveniência e incoerência que nos contamina foi a utilização de diversos meios de comunicação locais da fala do deputado federal, Julian Lemos, na Tribuna da Câmara, contra a postura de Estela e a favor de uma “tal” liberdade de imprensa. Seria cômico se não fosse trágico!! O parlamentar em questão, no começo do seu mandato ameaçou explicitamente veículos locais e nacionais por resgatar fatos pregressos de sua vida pessoal. Elementos sortidos, que recheiam a longa ficha de processos judiciais do parlamentar vieram à tona e os expositores foram logo advertidos a tomar cuidado!Aliás, na mesma intervenção que faz em pleno Congresso o parlamentar sugere que os veículos que o atacam na Paraíba são comandados por blogueiros a serviço do governo do Estado. Ou seja, a defesa da liberdade de imprensa só vale para os que estão na mesma trincheira, ou em momento oportuno?? Aliás, muitos dos veículos que se levantaram agora, são os mesmos que dão palanque constante as notícias sobre o mandato do Julian Lemos, inclusive com as “verdades suspeitas” que o mesmo propaga, como liberação fictícia de verbas para municípios etc. Acredito que seja apenas por critério jornalístico mesmo. Sigamos…

 

  • Mas, o exemplo mais emblemático das “nossas próprias contradições” é Nilvan Ferreira. O apresentador do programa radiofônico mais ouvido da Paraíba, no dia do incidente, foi o mais contundente nas críticas a Estela Bezerra. Enfático, aproveitava a manifestação de solidariedade ao colega de profissão para capitalizar politicamente contra o grupo do qual é reconhecido desafeto… Discorria sobre detalhes realmente verdadeiros da Operação Calvário e boatos do tipo “ouvi falar que na delação, fulano citou nominalmente sicrano e blábláblá”. Nada diferente do modelo de “jornalismo” que o mesmo faz diariamente empunhando sua ARMA, digo, seu microfone.Eis que no dia seguinte foi induzido a provar dopróprio veneno! Ao ser interpelado pela deputada sobre um processo que respondeu por fraude em sua loja de roupas, se descontrolou, saiu do sério, vociferou, apontou o dedo, se disse vitima de armadilha do partido da parlamentar… Colérico e nada democraticamente, não deixou a entrevistada falar mais e no grito tentou vencer o debate! Isso tudo ao vivo. Uma patetice instantânea para a “Paraíba e o mundo inteiro” acompanhar (parafraseando jargão usado pelo próprio apresentador).

 

O problema da atividade midiática (e aqui falo do Brasil, não apenas da Paraíba) é confundir a fundamental “Liberdade de Imprensa” com Salvo Conduto para tudo, inclusive ilicitudes de toda sorte. Sob esse escudo, muitos profissionais de imprensa acreditam estar protegidos por uma couraça inviolável e acima de qualquer juízo. Muitos se pretendem, inclusive, mais intocáveis do que parlamentares e suas famigeradas imunidades, mesmo diuturnamente atacando esses e outros dispositivos de benesses e proteção. É um exercício hipócrita da função.Defendo veementemente a liberdade de atuação da imprensa e seus profissionais, incluindo aí, naturalmente, os que não comungo de linha editorial ou práticas. Mas penso que, como qualquer outra atividade o bônus da nossa liberdade de atuação deva estar associado também a responsabilidade e responsabilização de ações. Vivemos em um país que recentemente elegeu um presidente com notável influência de “Fake News” (fato referendado por conceituados institutos internacionais). E boa parte dessas e de outras notícias falsas são fabricadas e/ou replicadas/transmitidas em veículos de comunicação convencionais, por aqueles que se dizem “comunicadores”. Isso sem falar de casos mais explícitos e diretos de prejuízos a terceiros, que tem honra, moral etc manchadas por difamações, ou julgamentos prévios nos “tribunais midiáticos”.

Lealdade e solidariedade na medida certa mas, acima de tudo, doses homeopáticas de senso de justiça não fazem mal a ninguém!

 

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