Polícia Federal despista à imprensa e Ricardo Coutinho já se encontra preso na sede do órgão

A expectativa foi grande durante todo o fim da noite desta quinta-feira (19) e início da madrugada desta sexta (20), para a chegada do ex-governador Ricardo Coutinho em solo brasileiro e, em seguida, ser preso pelo Polícia Federal e encaminhado para à sede da instituição em João Pessoa.

Toda à imprensa esteve presente na sede da PF, aguardando a chegada dos veículos oficiais que estariam trazendo o ex-governador. Mas, os policiais acharam melhor não entrar pela entrada principal e chegou com o ex-governador por um portão atrás da sede do órgão.

Ricardo Coutinho recebeu voz de prisão ainda no aeroporto de Natal/RN e em seguida foi trazido para João Pessoa.

Ricardo Coutinho é apontado pelo Ministério Público como o chefe da organização criminosa que desviou milhões de reais em dinheiro da Saúde na Paraíba.

Entenda o caso

Operação Calvário / Juízo Final

As investigações em curso apontam para um modo de atuação semelhante ao registrado em outras frentes de apuração como a Operação Lava Jato. A diferença é que, desta vez, os envolvidos no esquema criminoso usaram organizações sociais (OSs) para viabilizar o desvio dos recursos públicos. A estimativa é que ao longo de oito anos, somente em favor das duas OSs contratadas pelo estado para gerir os serviços, o governo da Paraíba pagou R$ 1,150 bilhão. A maior parte, R$ 980 milhões, foi destinada à Cruz Vermelha e os R$ 270 milhões restantes para o Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional.

Os colaboradores apontaram o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) como um dos principais integrantes da organização criminosa, que se manteve na gestão do atual chefe do Executivo, João Azevedo (sem partido). Na área da saúde, as irregularidades consistiram no direcionamento de contratos de prestação de serviços, na aquisição de materiais e equipamentos de empresas integrantes do esquema e na indicação de profissionais para trabalhar nas unidades hospitalares.

Já em relação à educação, há indícios de fraudes em procedimentos que declararam inexigibilidades de licitação que resultaram em contratos de cerca de R$ 400 milhões. Desse total, R$ 57 milhões teriam sido destinados ao pagamento de propina aos membros da organização criminosa. Como exemplo, são mencionados indícios de superfaturamentos em processos licitatórios relacionados à aquisição de laboratório de ciências para escolas da rede estadual. O sobrepreço atingiu, nesse caso, R$ 7,2 milhões.

 

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