TODOS OS SONS HABITAM PEDRO ÍNDIO NEGRO – escreve Marcos Thomaz sobre um pouco do artista

Um artista que já no seu “cartão de apresentação” reúne o sumo da miscigenação que redundou na riqueza e pluralidade artística do Brasil: Pedro Índio Negro!

O prenome arrasta uma tradicional assinatura portuguesa (para o bem e para o mal nosso laço hereditário com o Velho Mundo), o nome do meio perpetua os nativos primeiros do Brasil, e o último nome representa aqueles afros que, mesmo aqui tendo chegado trazidos a força, legaram a essas terras tupiniquins um universo rítmico incalculável!

A “santa trindade”, responsável pelo imenso e diverso universo cultural deste país ostentada por inteiro, em uma só alma musical! E o homem transborda essa verdade, intensidade… reverbera, propaga todo esse mosaico cultural a plenos pulmões…

Soma-se a isso um laço hereditário direto mais que especial. O “cara” tem impresso em seu DNA, transporta em suas veias sangue nobre da arte paraibana. Filho dos consagrados Pedro Osmar e Gláucia Lima, Pedro índio Negro parece já ter nascido arte em estado bruto!

Em muitos, talvez a maioria dos casos, essa herança de dom se configura quase em uma mera repetição dos pais, ou zona de conforto, que quase mediocriza, desperdiça tamanha vocação.

E é exatamente a diferença quanto a isso, a inquietude e busca por desafios tão extremos a si mesmo e a seu próprio talento, que já fazem Pedro Índio Negro agigantar-se nesse cenário musical paraibano!!

O vi pela primeira vez casualmente no quarteto “A Quadrilha”! Já tinha ouvido falar e escutado uma música desse projeto, mas não sabia da apresentação naquele dia, naquele lugar. Calhou de eu ir ao Recanto da Cevada, aqui nos Bancários, e me deparar com o quarteto em ação! Arrebatador! Vocalização sublime, sintonia perfeita entre os 4 (o próprio Pedro, Guga, Elon e Amorim). No repertório referências como Doces Bárbaros, muito Clube da Esquina, Cátia de França etc. Fiquei impactado em presenciar uma proposta daquela envergadura aqui “ao lado de casa”. Belo, intenso… mas ao mesmo tempo mais próximo a linha global de atuação musical que referenciava todos eles e o cenário musical em questão!

Nessa mesma época fiquei sabendo, através de Val Donato, que Pedro Índio Negro, esse mesmo integrante da “gangue da voz”, digo da Quadrilha, que também comandava um projeto autoral, Flor da Pedra, e integra um suingado  projeto de releituras de soul/funk/black music denominado Funkeria, iria fazer um tributo ao Deep Purple! Surpreso e, ainda incrédulo, questionei: Pedro Índio?!?! Pois bem, era, aliás é! Fui conferir in loco na última sexta-feira, na Vila do Porto, o tributo ao power rock dos britânicos. E aqui, derivo para explicar o porque da minha estupefação com a escolha desta homenagem, em específico. Pela minha própria formação e afinidade variada musical não nutro puritanismos. Mesmo com supremacia e ampla identificação com o rock, tenho fora do estilo alguns dos meus artistas prediletos. Mas no caminho inverso, não há como não se surpreender…

Tivemos a oportunidade de entrevista-lo no AUMENTA (programa de rádio que apresento com os amigos Eliseu, Fábio e Tiago às terças-feiras na Rádio Tabajara). Lá ele nos disse que sempre escutou muito Deep Purple dentre outros nomes do rock´n roll! Até aí natural e corriqueiro, afinal muitos com atuação na música independente e, mesmo nos estilos mais populares, também tiveram interesse despertado pelo rock. Mas daí a montar trabalho nessa temática com carreira em consolidação em outro rumo, junto a outro público/nicho?? Isso é para quem quer, de fato levar sua voz para além do lugar comum. Para contextualizar, vale frisar que o Deep Purple está naquele seleto grupo dos clássicos do rock. Um dos principais influenciadores e pioneiros do Heavy Metal!! De não fácil digestão até para muitos consumidores frequentes do estilo.

Mas é esse mesmo Deep Purple, que foi magistralmente representado! Tudo impecável (som limpo, claro- banda minimalista, coesa e a frente Pedro Índio Negro como um médium, um místico, alquimista do som, incorporando de Ian Gillan a David Coverdale, destilando tons, timbres e até mesmo os grunhidos na precisão, nota sobre nota!

Aguardemos o que o Caleidoscópio Pedro Índio Negro reserva para o futuro…

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