Ação da Central de Transplantes no Busto de Tamandaré incentiva doação de órgãos

Foi há quatro anos, por meio de um exame de urina, que a aposentada Socorro Navarro, aos 54 anos, descobriu que tinha hepatite autoimune e cirrose hepática. A única solução possível para a cura era o transplante de fígado. Depois de passar três meses na fila de espera, ela conseguiu o órgão.
 
“Eu sempre tive esperança de que conseguiria. Não consigo definir a paz e a alegria que senti quando me disseram que havia um doador compatível. Pensei muito naquela família que estava passando por um sofrimento e que, mesmo assim, escolheu fazer o bem! A pessoa que me doou ainda salvou outras duas pessoas com o coração e as córneas. Um ato de amor sublime”, disse ela.
 
A doação de órgãos só é possível com a autorização da família. Visando sensibilizar a população, a Central de Transplantes da Paraíba promoveu, na manhã deste sábado (28), no Busto de Tamandaré, na capital, uma programação com panfletagem, orientações sobre a doação de órgãos e transplantes, serviços de saúde e aulas de dança.
 
“Muitas vezes, nossa equipe tem a missão de abordar as famílias em um momento de sofrimento, diante da perda de um ente querido. Hoje, fizemos diferente! Abordamos as pessoas na praia, com alegria, para que elas entendam que a família é fundamental no processo de doação de órgãos e, sabendo disso, os parentes podem ajudar a salvar muitas vidas. Para quem quer ser doador de órgãos, é simples: basta avisar aos familiares”, comentou a coordenadora administrativa da Central de Transplantes, Rósula Mendonça.
 
De acordo com o diretor da Central de Transplantes, Luiz Gustavo de Barros, os números em relação à captação de órgãos e tecidos são animadores. Nos últimos meses houve um aumento de 200% na doação, em relação a 2018. “A gente que trabalha diretamente com esse tema percebe que ainda existe uma grande desinformação por parte dos familiares, muitos mitos. Temos este trabalho diário de desmistificar o tema e sensibilizar os parentes”, relata o diretor. 
 
Só este ano foram realizados 14 transplantes, 5 captações multiórgãos e 5 Transplantes multiórgãos. Para o diretor, a elevação de dados é considerável. “Fizemos em um semestre 6 captações de fígado, equivalente ao total de todas as captações de 2018”, enfatiza.
 
O evento no Busto aconteceu em parceria com o Hospital Nossa Senhora das Neves, Hospital Unimed, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar.
 
“O Hospital Nossa Senhora das Neves tem convênio com o SUS, o acesso não é limitado. Desde que fomos habilitados para realizar transplantes, já fizemos 41 de rim, 14 de fígado e o primeiro transplante de medula óssea da Paraíba”, informou o enfermeiro coordenador da unidade geral de transplantes do HNSN, Sérgio Ferreira.
 
Com o objetivo de proporcionar mais agilidade à captação de órgãos, o Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba disponibilizou uma viatura, com um motorista 24h, para o transporte de órgãos e da equipe de captação. O compromisso foi validado por meio da assinatura de um termo de cooperação técnica entre o CBMPB e a SES.
 
“A Central de Transplantes pode acionar nossa equipe a qualquer momento. Num futuro próximo, esperamos que no ano que vem, vamos auxiliar com um helicóptero para poder fazer esse transporte no menor tempo possível”, disse o capitão Soares, do Comando Geral.
 
Aposentada, aos 69 anos de idade, dona Severina David já avisou a toda família que quer ser doadora de órgãos. “Sou muito saudável, faço pilates, hidroginástica, aula de ritmos, mas, quando a gente morre, tudo fica! Por que não deixar uma parte da gente para quem tá precisando? Eu quero ser doadora de órgãos e todos ao meu redor já sabem disso”, falou.
 
Saiba mais sobre a doação de órgãos
 
O que pode ser doado?
Cartilagem, coração, córnea, fígado, intestino, medula óssea, ossos, pâncreas, pele, pulmão, rim e válvula.
 
Quem pode ser doador?
Todos com idade entre 2 e 80 anos e que não apresente doença comprometedora do órgão ou tecido.
 
Como doar?
Após o óbito, a família do doador informa ao hospital o seu desejo de doar ou entrar em contato com a Central de Transplantes.
 
Quem recebe os órgãos?
Pacientes que necessitam de um transplante e estão inscritos na lista de espera.

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