ÔNIBUS 2520 – Sobre solidariedade e bom senso; novo artigo de Marcos Thomaz

Esse tenebroso 2019 nem acabou, mas aquela patética cena do governador do Rio de Janeiro saltitando eufórica e descordenadamenteapós a execução do sequestrador do ônibus já merece o título de “momento pastelão” do ano!!

É aterrador ver o nível de muitos “estadistas” hoje nesse Brasilzão descarrilhado!! Representantes do povo, eleitos pelo voto popular, completamente ineptos as funções que exercem. Poços de intolerância, truculência e conceitos medievais…

Pois bem, mas o foco desta escrita não é a patifaria do senhor Witzel! Quero cutucar outras feridas, que foram abertas/expostas por esse cenário colérico, quase insano, que intoxica lá (a turma dos apoiadores inveterados de todo absurdo que comanda o país), mas cá também…

Detesto maniqueísmos, luto contra a natural tendência humana de “demonizar um para endeusar outro”, “sacralizar esse para mandar ao inferno aquele”… Mais que intrínseco ao ser humano comum, na política isso é ARMA DE GUERRA eternamente engatilhada!!

O episódio em questão serve como emblema. A execução do sequestrador do ônibus 2520,Willian Augusto, em plena luz do dia, na cinematográfica ponte Rio-Niterói logo tomou conta dos pântanos das redes sociais. Assim sendo, seguindo a máxima popular “Pau que dá em Chico, dá em Francisco”, focarei na onda de ataques implacáveis ao modus operandi da polícia.

Ora, estamos imersos em um cenário de insegurança generalizada, medo real e casos de chacinas, atentados aleatórios, sem alvo específico, que antes passavam longe do território nacional (quem não se lembra de Osasco?).

Não estamos tratando de uma invasão truculenta da polícia a favela, sequer de abordagem ostensiva a, apenas, suspeitos!? O caso em questão era uma clara ameaça a vida de dezenas de pessoas em um transporte público, sob a mira de uma arma (ninguém sabia que se tratava de uma pistola de brinquedo)!?

Vamos baixar um pouquinho as “armas do patrulhamento ideológico”, nos despirda vaidade de posicionamento cult virtual e tentar exercitar a lógica! Ouvi de alguns amigos, li de outros colegas afirmações como: “tudo bem, mas poderia ter apenas imobilizado o rapaz!” . Aos incautos vale lembrar que a situação espalha tensão a todos os envolvidos, incluindo os humanos policiais, mesmo, teoricamente, sendo preparados para este tipo de negociação!

Então pensemos… um tiro, dois ou três apenas para imobilizar, mas não sendo letal, que permitisse ao sequestrador algum tipo de reação contra os reféns, e que este vitimasse um apenas, que seja…não seria trágico???

Se tratamos de empatia em boa parte de nossas falas, vamos pôr em prática no ato de nos colocar no lugar das pessoas feitas reféns e sob a mira de uma arma!! Vamos nos solidarizar com o “terror” e sensação de impotência vividos por eles e entender que, nesse caso, a conduta policial foi reativa, precisa para estancar o risco a que inocentes estavam sendo expostos por um indivíduo armado e que a qualquer momento poderia efetivar assassinatos!!

O Estado precisa ser forte, contundente, efetivo quando assim provocado, principalmente em circunstâncias em que vidas estiverem em situação vulnerável pela atuação infratora e ameaçadora de um terceiro! É exatamente isso que exigiremos se acaso estivermos expostos em desconforto e risco similar, sejamos de esquerda, direita, situação ou oposição… Isso não é política, é caso de vida ou morte!!

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