O ódio nosso de cada dia; no olhar de Demétrius Faustino

Submergidos que estamos em uma cultura do ódio, pouco se tem dado consideração aos acontecimentos existentes fora do país. É como se o mundo acabasse no Planalto Central.

Enquanto essa onda se espalha pelo nosso Brasil, em uma das principais instituições da União Europeia, o Parlamento Europeu, se vê a ascensão dos Verdes nas eleições; jovens que antes tratavam com desprezo as eleições foram às urnas defender o tratado que rege medidas de redução de emissão de gases estufa à partir de 2020 (Acordo de Paris), e denunciar a falta de reação dos governos em enfrentar a mudança climática, aquela que, segundo Bolsonaro, os axiomas previstos atentam a soberania nacional; Há pouco tempo um movimento paredista de mulheres paralisou e concomitantemente pôs em movimento a Suíça, país que evolui sempre no norte do que é civilizado. Enfim, as sociedades da europa se mexem em torno de diversos temas, a exemplo dos ambientais e dos direitos das mulheres, tudo através de passeatas mansas e pacíficas, temas que são manifestamente declarados nocivos por aqui, como convém a zona cinzenta que se desmorona sobre nossas cabeças.

Essa cultura do ódio, faz com que as causas do tempo atual fiquem desmemoriadas, a exemplo da luta pela qualidade de vida que afeta a todos e as relações humanas que não são azul ou encarnado, são de respeito ou de agressão.

Não é à toa que a edição do parisiense Le Monde datado de 22 de Junho próximo passado, traz uma entrevista exclusiva com Chico Buarque, onde o cantor, compositor e escritor fala sobre a situação atual do Brasil e sobre o pedido de visto de longa duração na França que fez recentemente.

Ele esclarece que hoje os artistas brasileiros não são bem-vindos, nem bem vistos pelo governo. “Uma cultura de ódio se espalhou de maneira impressionante”. Chico Buarque explica que o novo governo despreza totalmente a cultura. Mas diz que, apesar do pedido de visto francês, quer continuar a viver no Brasil. “Não posso viver longe de meu país”.

Forçoso dizer ainda, que essa cultura não é só no mundo real, pois no mundo virtual, e em especial nas redes sociais, esses serviços são constantemente usados como um canal (por vezes anônimo) de divulgação dessa violência cultural.

Pesquisas indicam inclusive, que esse bizarro fenômeno em que, em vez de as pessoas se tornarem mais abertas a novas ideias com o advento do Facebook, estão se tornando mais conservadoras e combativas.
Ao contrário desse sentimento vulgar, é possível fazer como o escritor Valter Hugo Mãe:
Quando da realização do VIII FLIARAXÁ, em sua homenagem, após a conclusão da sua palestra, este abriu a camisa e exibiu no braço uma tatuagem da palavra “amigo”, escrita com a caligrafia de Ignácio de Loyola Brandão, que por sua vez subiu ao palco para um demorado abraço, e depois beijar a mesma, muito embora esse resultado tenha levado uma senhora que assistia a um dos debates a comentar, com um tom de descrença: “Acho que não estamos no Brasil”.

 

João Pessoa, Julho de 2019.

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