No Conde, vereador é acusado de ficar com salários de funcionários

Rachadinha. O dicionário Aurélio não faz a mínima ideia do significado. O submundo da corrupção nos legislativos, por outro lado, conhece a prática de cabo a rabo. Trata-se da prática corriqueira de vereadores, deputados ou senadores contratarem assessores e ficarem com parte dos salários. Geralmente, o dinheiro é rachado meio a meio. Na cidade do Conde, na Região Metropolitana de João Pessoa, o vereador Fernando Boca Louca (Avante) decidiu exagerar na dose. Ele tem ficado com 90% dos salários pagos pela Câmara Municipal aos assessores indicados pelo gabinete dele. Isso, pelo menos, é o que mostram as investigações conduzidas pelo delegado Alan Murilo Terruel, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado da Capital.

O caso chegou ao conhecimento do delegado após a descoberta do esquema por uma equipe do Bolsa Família. A servidora Maria Alice Gomes estava em casa, sem trabalhar, quando recebeu uma visita de responsáveis pelo programa no município do Conde. A coordenadora do Bolsa Família, Angélica Correia, abordou a funcionária pública sobre a necessidade de ela deixar o programa. O motivo: o fato de receber salários do Legislativo. Foi quando a mulher confessou que recebia um salário mínimo, mas ficava com apenas R$ 100. Todo o restante do dinheiro era entregue a Boca Louca. O caso foi parar na delegacia, que passou a investigar as acusações. A linha de investigação mostrou que outros servidores viviam a mesma situação.

Convocado para depor, Fernando Boca Louca admitiu em depoimento que realmente se apropriava dos salários dos servidores. Fazia isso há muitos anos, até de mandatos anteriores. Até assessores que disseram à polícia não ter feito as doações foram apontados pelo próprio vereador como vítimas do esquema. Um outro servidor tinha revelado ao delegado que trabalhou na campanha de Fernando Boca Louca e foi convidado para integrar a equipe dele na Câmara. Francisco Carlos Oliveira disse que não aceitou, mas a Câmara Municipal revela que os salários foram pagos em nome dele por oito meses. O assessor diz que não recebeu nada. A nomeação dele foi para chefe de gabinete. O detalhe é que ele é analfabeto. Blog do Suetoni

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