Em Campina, população reclama de falta de medicamentes nos postos de saúde

“Eu tenho problemas psicológicos e todo mês que eu venho receber a medicação falta mais do que tem. Hoje, eu só consegui receber uma das quatro que eu preciso”. A reclamação é de uma servidora pública que preferiu não informar o nome. A declaração é confirmada por outros usuários do sistema municipal de entrega de medicamentos de Campina Grande.

Ela falou que depende de ajuda de parentes para manter o tratamento. “Se eu paro de usar os remédios, eu começo a ter crises. É por isso que quando eu não tenho como comprar, meu irmão paga, vai ser isso que vai acontecer esse mês”, disse.

A servidora usa fluoxetina, Amytril e Haldol, mas nenhum deles estava disponível na farmácia do Centro de Saúde Dr. Francisco Pinto, ontem. Ela recebeu apenas Zilepam para o consumo de um mês de tratamento. O servente de pedreiro, Expedito Inácio da Silva, por sua vez, teve uma boa notícia após três meses tendo que comprar Levodopa Carbidopa.

“O meu filho está sem o material escolar, por exemplo. Agora que eu consegui receber, vou comprar pelo menos o caderno, no cartão de crédito, para ele poder ir para a escola”, falou. Expedito passou os últimos três meses com um custo de R$ 70 mensais para a compra da medicação.

“Eu tenho a sorte de ter uma família que ajuda, quando não tenho como comprar, eles fazem uma vaquinha”, acrescentou. A diretora do Centro de Saúde Dr. Francisco Pinto, Auricélia Alves, afirmou que o maior problema é a grande procura de pessoas de outras regiões da cidade.

Ela falou que o posto atende moradores de todos os bairros, quando deveria atender apenas da região central. A Prefeitura Municipal de Campina Grande também está enfrentando problemas quanto à validade dos medicamentos entregues. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) encontrou irregularidades em licitações, como valores inexeqüíveis, o que despertou a possibilidade de estarem fora da validade ou com datas muito próximas de seus vencimentos.

Segundo dados do TCE, 57,5% dos medicamentos comprados pela secretaria municipal de saúde estavam próximos ao vencimento e 37,7% muito próximo ao vencimento, o que representa mais de R$ 10 milhões, entre 2015 e 2018. No ano passado, foram gastos R$ 1,28 milhões em licitações deste tipo. PBnews

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