Natal de Cristo – Por Demétrius Faustino

Não é fácil sentar diante de um computador e escrever algo de novo sobre um tema tão exaurido como é a festa natalina. Há tantos textos sobre o Natal, quanto há meios de se desejar felicidade ao próximo.

Em aplaudida crônica Luís Fernando Veríssimo relata que já foram escritos variáveis artigos e outros estilos sobre o Natal, a exemplo de atualizar a história da Natividade (Maria e José em fila do SUS; os Reis Magos chegando atrasados porque foram detidos por patrulhas israelenses ou militantes palestinos; Jesus vítima de uma bala perdida); tem também a dos problemas encontrados por Papai Noel no mundo moderno (seu trenó levado num assalto; sua dificuldade em se identificar em portarias eletrônicas; protestos de ambientalistas contra o seu tratamento das renas; suspeita de exploração de trabalho escravo; suspeita de pedofilia etc.); e ainda tem a crônica de Natal tipo “o que eu gostaria que Papai Noel me trouxesse”. A Bruna Marquezine ou um aparelho celular razoável; a paz entre os povos; um centroavante para o Internacional etc. Particularmente gostaria que Papai Noel trouxesse um centroavante para o Flamengo.

Pois bem. O fato é que todos os anos e por esta altura o clima de Natal toma conta da terra (quiça do Planeta Marte), da água, do ar e da alma das pessoas. Não sei se é com sinceridade, mas todos se amam e se desejam felicidades de forma diária e ininterrupta. Como diria o poeta Drumond, o ano se compõe de 10 meses, pois o resto é Natal.

Assim como as pessoas durante a semana da páscoa só pensam no ovo de chocolate, até porque coelhos não botam ovos, no Natal o pensamento gira em torno dos presentes/prendas, e a ilusão de que o espírito natalino é capaz de sobrepujar todo e qualquer percalço.

Mas onde fica Jesus Cristo nessa história, se o Natal, segundo a Igreja Católica é a solenidade cristã que celebra o seu nascimento?

Entendo que a verdadeira mensagem do Natal, o nascimento milagroso de Jesus Cristo, foi simplesmente ignorada pela grande maioria das populações do mundo, pois as pessoas estão preocupadas com a ceia, com presentes, com o comércio, com a roupa que irão vestir.

Quem vai aos grandes shoppings brasileiros, por exemplo, e a fim de ver as decorações e apresentações do Natal, vê luzes, pisca-pisca, estrelas, neve, ursos polares, duendes e gnomos coloridos, Papais Noéis de todos os tipos, danças, apresentações teatrais… Mas, e o Menino? Não há nenhuma (nenhuma, mesmo!) alusão ao Natal de Cristo!

E o pior: a delicadeza e a cortesia que é a parte nobre do homem repousa no esquecimento durante todo o ano, vindo a ressuscitar tão somente no Natal.

Não importa sejas Natal ou não, o ser humano deve ser terno e generoso para com o próximo todos os dias, porquanto o espírito natalino deve reinar conosco em todas as horas de nossas vidas.

FELIZ NATAL A TODOS!

João Pessoa, Dezembro de 2018.

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