“A pátria em chuteiras”; confira o novo artigo de Demétrius Faustino

A PÁTRIA EM CHUTEIRAS

 

Demétrius Faustino

 

Chegamos mais uma vez a uma época de mudança em nosso cotidiano, e não há como não sentir um clima diferente no ar. É a pátria em chuteiras se apresentando para a Copa do Mundo de Futebol, e o povo verdadeiramente brasileiro encarnando o verde amarelo no corpo e nas ruas; é a magia do futebol enfeitiçando culturas e valores diferenciados.

Depois da desastrosa derrota para a Alemanha, a nossa seleção está recomposta, pelo menos a meu ver, pois do contrário, como na crônica do poeta de Itabira do Mato Dentro, iremos mais uma vez  “ver gente chorando nas ruas; homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que um dia já foi sagrado; bêbados inconsoláveis; o técnico xingado de burro e queimado vivo sob a aparência de um boneco, etc.

O fato é que o povo brasileiro, quando se trata de Copa do Mundo, nunca está preparado para a derrota, e nem pensa sequer em ser vice, fato que nem a torcida do Vasco que já acostumada a uma sucessão de derrotas em finais de campeonatos, deseja para o Brasil.

Mas estamos preparados para trazer o caneco sim, bastando apenas que Neymar jogue tudo o que sabe, pois em futebol, como em tudo o mais, o craque é decisivo, e o time como um todo jogue de forma coletiva como jogou nas eliminatórias.

É verdade que as pesquisas atuais indicam que grande parte dos brasileiros não ligam mais para a seleção. Expressam até palavrões quando o tema é posto sobre a mesa. Considero isso uma incongruência, porque se tem algo que está em nossa veia é o futebol. Façamos como os Russos que não estavam empolgados até a vitória por 5 a 0 contra a Arábia Saudita, em razão de que o time não ia bem. Imagine a nossa seleção que há muito não sabe o que é perder.

Sei que o país atravessa um período nebuloso, que há dias atrás havia carência de combustível nos postos, que o desemprego tem devastado os lares e as famílias, que as entidades da bola dão um bico em nossa sensibilidade, contudo, confesso, sem o menor constrangimento, não tenho como negar que a seleção brasileira ainda é minha pátria em chuteiras.

A nossa seleção já está na Rússia e o meu coração também.

João Pessoa, Junho de 2018.

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