Cultura do espetáculo por Demétrius Faustino

Em forma de uma avalanche, a grande mídia brasileira, e não é novidade, vem desenvolvendo a cada dia o fenômeno que os especialistas o chamam de cultura do espetáculo, cujo único intuito é o de dominar a vida política, econômica, social e cultural do país. A novidade apenas é a de conclamarem aos quatro cantos que isto é pós-modernidade.

Na verdade, trata-se de uma “pós-modernidade” onde a maioria da população está propensa a se deixar dominar pela distorção extrema dos fatos, e que diante da imaginação das mídias eletrônicas e a colonização do seu universo, da noite para o dia, essas pessoas vem mudando suas idéias, críticas, opiniões entre outros. E isto é o mesmo que esfacelar a verdade da informação.

É fato que a publicidade vem manobrando desejos, promovendo fascínios sobre os leigos, criando novas imagens e que podem ser vistas em todas as partes do planeta. Porém, a configuração atual não dá sentido à sua real função, porquanto são compulsivamente distorcidas, e tudo isto só coloca em xeque a naturalidade do humano.

E o que é mais verdade ainda, é a grande mídia utilizar a estratégia (quando lhe convém) de controlar a opinião pública através da distração, desviando a atenção do público daquilo que é realmente importante, oferecendo uma avalanche de informações secundárias e inócuas, para esconder os reais focos do que se passa no Brasil.

A liberdade de expressão, entendida como liberdade da imprensa, está respaldada e assegurada pelos preceitos constitucionais, é bem verdade. Entretanto, verifica-se visivelmente que o interesse da grande mídia brasileira atualmente não é só o de veicular informação, mas também noticiar eventos que ofereçam maiores índices de audiência, geralmente relacionados aos casos de grandes repercussões na seara criminal, onde os fatos são narrados de forma parcial, e os suspeitos já se encontram pré- condenados na TV, nos jornais e na internet, antes mesmo do julgamento.

Não é à toa, e cito como exemplo, que a grande maioria dos juízes norte-americanos não permite a entrada de câmeras fotográficas e vídeos nos tribunais para evitar uma pré-condenação dos réus, ao contrário do que acontece no Brasil, pois aqui essa mesma mídia faz de um julgamento do STF um espetáculo televisivo político que ganha no ibope para qualquer outro tipo de programação. Não sei se isso é bom ou se é ruim, o que sei é que, o juiz que não votar pela condenação dos réus, e não importa se há ou não consistência de provas, corre o risco de ser considerado conivente com a corrupção.

Foi o que aconteceu com o processo do triplex, cuja sentença, confirmada por Tribunal Superior, foi fundamentada em prova inexistente, ofendendo dispositivo da Lei Maior, de que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.

A atuação da grande mídia brasileira impôs uma exposição de fatos massificada anti-Lula, dai resta comprovado ter sido ela o principal combustível da mobilização das forças antidemocráticas na prisão do ex-presidente.

A própria coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Mielli em entrevista concedida ao Portal Brasil de Fato, afirmou que “O papel dos grandes meios de comunicação privado no Brasil é bem claro há alguns anos. E nos últimos dois anos foi explícito. Eles atuaram politicamente utilizando o poder de manipulação da informação para construir uma opinião pública favorável a prisão do ex-presidente Lula”.

Depois não digam que não avisei aos coxinhas.

João Pessoa, Abril de 2018.

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