UM ANO PRÁ NÃO ESQUECER

Demétrius Faustino

 

Final de ano chegando, pintando o verão, e assim o Dezembro Laranja, protagonista das celebrações, vai fluindo e vasculhando as últimas emoções de 2017.

De fato, um ano prá não esquecer. No quesito política nacional, tanto o Palácio da Alvorada que quer transformar a reforma da previdência no tema central da campanha presidencial, como a grande maioria do Congresso Nacional, com seu parlamentarismo informal, e cuja última pesquisa de opinião revelou que 80% dos brasileiros consideram ruim ou péssimo o desempenho dos atuais deputados e senadores, só passaram desconfianças e falta de credibilidade ao povo brasileiro, pois o cenário foi conturbado e nebuloso, e como decorrência as operações policiais viraram rotina, onde muita “gente importante” está vendo o sol nascer quadrado.

Sente-se nas ruas, no labor cotidiano, na troca de idéias, nos semblantes, toda uma insatisfação, uma desilusão e uma descrença de um povo. A política de Brasília está deformada, e é um fato consumado.

Tudo que não tem vil metal, continua sem significado nenhum em nossa sociedade, mantendo-se aquela linha de que você “só vale o que tem”, e o resto é repudiado, a exemplo dos valores morais, porquanto há também nesse lado um saldo negativo de ternura no Brasil, que como diria o Chico Buarque, é o país da delicadeza perdida. Sem esquecer que Trump está colocando o mundo perto de uma guerra, e desta feita de forma mais cirúrgica.

O que pensar de um país em que uma professora de 43 anos de idade sacrifica a própria vida para salvar crianças em Minas Gerais, deixando um exemplo de bravura e amor, mas quem ganha o prêmio de “Mulher do Ano” é Anitta, e que não é a Garibaldi, mas a do bumbum? Também pudera, em um país onde Pablo é condecorado com o prêmio “Música do Ano”, isto só demonstra o nocaute que a nossa música vem sofrendo, pois assassinaram a gramática e desafiaram a lógica.

E a grande mídia? Esta além de certas publicações sem qualificação e credibilidade, mudou a forma, conteúdo, linguagem e conceito no mercado da informação, cuja explicação tem nome: falta de seriedade, e sem resposta a demandas reprimidas.

Mas apesar de tudo e “de você”, nosso tempo é hoje, como diria o Paulinho da Viola, e, portanto, vamos nos confraternizar nesse final de ano; cozinhar a vida em banho-maria para protelá-la, fazer com que a nostalgia nos leve a fazer um balanço da mesma, pois é ela que está com a razão, procurando ter uma sensação de saudade originada na lembrança de um momento vivido num passado, de pessoas que estão distantes, da política feita nos tempos de maior coerência, ou da paisagem da nossa terra numa época em que éramos mais juvenis, para sentir e diminuir a febre, como diria o poeta Fernando Pessoa.

Ainda entendo que o melhor de um final de ano é a confraternização, desde que alinhavada sem hipocrisias.

Brindemos a mais um ano novo, que a terra nos seja leve, mas que nunca esqueçamos de reagir.  

João Pessoa, Dezembro de 2017.

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